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Trump rompe com Mamdani e declara guerra fiscal sobre segundas residências de luxo em Nova Iorque

Presidente acusa o autarca socialista de “destruir” a cidade com impostos; Mamdani celebra taxa que pode render 500 milhões de dólares anuais e desafia ameaças de êxodo dos muito ricos.

Economia12 veículos5 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:49

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacou frontalmente o presidente da câmara de Nova Iorque, Zohran Mamdani, acusando-o de “destruir” a cidade com “políticas de impostos, impostos, impostos” e alegando, sem provas, que “as pessoas estão a fugir”. A declaração, publicada na rede Truth Social, assinala uma rutura com a surpreendente cordialidade que ambos exibiram num primeiro encontro em novembro, semanas após a vitória eleitoral de Mamdani, quando Trump prometeu apoiar a cidade apesar de o ter apelidado de “lunático comunista a 100%” [A1][A12]. O volte-face coincide com o anúncio de um novo imposto municipal sobre as segundas habitações de luxo, apoiado pela governadora do estado, Kathy Hochul.

A proposta fiscal incide sobre os chamados pied-à-terre — imóveis de luxo avaliados em mais de cinco milhões de dólares pertencentes a não residentes — e prevê uma receita anual de, pelo menos, 500 milhões de dólares. Mamdani, que se elegeu com a promessa de “taxar os ricos”, celebrou o passo com um vídeo nas redes sociais em que apontou para a penthouse de 238 milhões de dólares de Ken Griffin, gestor de fundos de cobertura, como símbolo da elite financeira que passará a contribuir [A2][A3][A11]. Estima-se que a medida abranja cerca de 13 mil unidades habitacionais de luxo cujos proprietários têm residência fiscal fora da cidade [A6].

Aos olhos da imprensa europeia, o embate condensa a experiência socialista de Mamdani, que acaba de completar cem dias à frente da maior metrópole americana. O jornal suíço “Neue Zürcher Zeitung” mostra uma cidade dividida: eleitores elogiam a “Operação Tapa-Buracos”, que tapou mais de cem mil crateras no asfalto, enquanto corretores de luxo denunciam uma política que prejudica todos [A9]. O diário suíço “Le Temps” sublinha que os 48% de aprovação do primeiro muçulmano a liderar Nova Iorque são modestos face aos 61% do antecessor Eric Adams no mesmo período, mas contextualiza que 56% dos nova-iorquinos consideram que a cidade vai “na direção certa” [A10]. O próprio autarca defendeu que o socialismo democrático “pode florescer em qualquer lugar”, recusando a ideia de que o rótulo assuste eleitorados rurais ou mais velhos [A4][A5].

Do lado do setor financeiro, a reação foi feroz. Investidores e comentadores conservadores falam em “guerra de classes” e empresários como Daniel Loeb insinuaram a possibilidade de mudar de domicílio fiscal [A8]. Mamdani desvalorizou as ameaças, classificando de “imaginado” o êxodo dos muito ricos. Num fórum com os economistas Gabriel Zucman e Joseph Stiglitz, recordou que idênticos avisos foram feitos antes da subida de impostos sobre milionários no estado de Nova Iorque e, ainda assim, o número de milionários aumentou [A7].

Observadores em Lisboa e em Brasília notam que a experiência de Mamdani é seguida com atenção, pois testa os limites da taxação da riqueza imobiliária em centros urbanos globais. O presidente da câmara ambiciona alargar o modelo: “Fui deputado estadual, depois autarca; agora a pergunta é o estado, depois será o país”, afirmou [A4]. A batalha com Trump promete agravar o clima político, mas o autarca mantém, para já, o apoio de uma cidade que, apesar de tudo, prefere acreditar que tapar buracos e taxar os muito ricos ainda é um bom começo.

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