Índia convoca diplomata dos EUA pela segunda vez após ataques a navios com tripulação indiana
Nova Deli exige o fim imediato das ações militares americanas contra embarcações comerciais no Golfo de Omã, após a morte de três marinheiros.

Nova Deli convocou na sexta-feira, pela segunda vez em três dias, o encarregado de negócios dos Estados Unidos, Jason Meeks, para protestar formalmente contra os ataques da Marinha americana a navios mercantes com tripulantes indianos ao largo da costa de Omã. A medida, que eleva a tensão diplomática entre as duas democracias, ocorreu após uma nova investida contra uma embarcação com 20 tripulantes da Índia, elevando para três o número de incidentes em apenas quatro dias.
Os ataques, atribuídos ao Comando Central dos EUA (CENTCOM) no contexto do conflito com o Irão, visaram petroleiros e navios de produtos petrolíferos. No primeiro incidente, a 10 de junho, o navio-tanque Settebello, de bandeira de Palau, foi atingido, causando a morte de três marinheiros indianos inicialmente dados como desaparecidos. No dia seguinte, o MT Jalveer, com bandeira da Guiné e 20 tripulantes indianos, sofreu um ataque que gerou imagens de fumo no mar, circulando nas redes sociais. O Ministério dos Negócios Estrangeiros indiano classificou o uso de “força letal e mortífera contra a navegação civil” como inaceitável e sublinhou que as mortes poderiam ter sido evitadas.
A resposta de Nova Deli tem sido firme e pública. Meeks, que chefia a missão diplomática na ausência do embaixador Sergio Gor (em visita ao Cazaquistão), foi recebido pelo secretário adjunto para as Américas, sinal de que a Índia procura manter o diálogo, mas sem minimizar a gravidade dos factos. O protesto indiano ecoa em várias capitais: na perspetiva de Brasília, a insegurança no Golfo de Omã ameaça as rotas de exportação de commodities brasileiras que abastecem mercados asiáticos; observadores em Lisboa recordam o legado histórico de defesa da liberdade dos mares e a importância de mecanismos multilaterais; já analistas em Luanda e Maputo alertam para o risco de escalada num corredor crucial para o abastecimento de petróleo e gás.
À medida que o conflito entre Washington e Teerão se intensifica, a Índia vê-se numa posição delicada: manter a parceria estratégica com os EUA e, ao mesmo tempo, proteger os seus cerca de 250 mil marinheiros que operam em frotas globais. A convocação repetida sugere que Nova Deli pode adotar uma postura mais assertiva, exigindo garantias de que os seus cidadãos não serão vítimas colaterais de operações militares. Para os países lusófonos, o episódio serve de alerta sobre a vulnerabilidade das cadeias marítimas e a necessidade de coordenação diplomática para preservar a segurança da navegação internacional.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
India has taken an unusually strong diplomatic stance, summoning the US charge d'affaires for the second time in three days to protest deadly attacks on Indian-crewed vessels. The government describes the US military strikes as 'unacceptable' and warns that they undermine maritime safety. New Delhi's repeated summons signals growing frustration and a determination to protect its citizens in the region.
Iranian media highlight India's unprecedented protest against US attacks on commercial vessels, framing it as a sign of Washington's reckless conduct in the region. The coverage emphasizes that three Indian sailors have been killed, and that New Delhi's ire is directed squarely at US aggression. This narrative aligns with Iran's own condemnation of US military actions and positions India as a victim of American overreach.
India summoned the US deputy chief of mission for the second time in three days to protest US military strikes on commercial vessels off Oman. The latest protest follows an attack that killed three Indian sailors. The report notes that New Delhi has expressed its displeasure over the strikes, but does not editorialize further.
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