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sexta-feira, 12 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Lugares vazios no Mundial 2026 expõem controvérsia sobre preços dos bilhetes

Milhares de cadeiras desocupadas no jogo Coreia do Sul–República Checa, em Guadalajara, reacendem debate sobre acessibilidade e estratégia comercial da FIFA.

Esporte12 veículos8 idiomas3 min de leituraAtualizado 22:05

O segundo jogo da Copa do Mundo de 2026, entre Coreia do Sul e República Checa, disputado no Estádio Akron, em Guadalajara, México, revelou uma imagem incómoda para a FIFA: vastas áreas de lugares vazios, sobretudo nos setores mais caros, contrastando com a lotação esgotada na vibrante estreia do anfitrião mexicano. Apesar de a entidade anunciar uma assistência oficial de 44.985 espectadores — número que roça a capacidade de 46 mil lugares —, as imagens televisivas desmentiam a plenitude, mostrando fileiras inteiras de assentos vermelhos desocupados. O descompasso entre os dados oficiais e a perceção visual reacendeu de imediato as críticas à política de preços e à gestão da venda de bilhetes para o primeiro Mundial com 48 seleções.

A controvérsia não é nova. Nas semanas anteriores ao torneio, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu um modelo de preços dinâmicos — com entradas para a final a atingir valores acima dos cinco mil dólares —, comparando o evento a finais da NBA e alegando uma procura dez vezes superior à expectativa. No entanto, observadores de várias latitudes notam que cerca de 180 mil bilhetes continuavam por vender à véspera da competição, e que os custos de viagem, aliados a políticas restritivas de vistos, afastaram adeptos de mercados emergentes. Comités políticos nos estados de Nova Iorque e Nova Jérsia, onde se realizarão jogos mais tarde, abriram investigações formais sobre a transparência do processo, ecoando um mal-estar que transcende continentes.

Na perspetiva de Brasília, a cobertura da imprensa brasileira salienta que os lugares vazios em Guadalajara são sintoma de uma elitização preocupante, que pode excluir torcedores de países em desenvolvimento, tradicionalmente a alma festiva dos Mundiais. Em Lisboa, analistas apontam para os riscos do formato tripartido — México, Canadá e Estados Unidos —, que encarece a logística para quem segue a seleção e reduz a concentração de adeptos locais, sobretudo em jogos entre equipas sem grande tradição migratória na região. Já de África, com destaque para as nações lusófonas, recorda-se que as barreiras de visto e os preços dos bilhetes tornam praticamente impossível a presença de adeptos de países como Angola ou Moçambique, aprofundando a fratura entre o discurso inclusivo da FIFA e a realidade das bancadas.

A FIFA, em comunicado, explicou que muitos espetadores com bilhete optaram por acompanhar o jogo das áreas de circulação, o que justificaria a discrepância entre bilhetes validados e lugares ocupados. Ainda assim, fontes próximas da organização admitem que a imagem de estádios semi-vazios em plena fase de grupos representa um risco reputacional e financeiro. O fenómeno ganha contornos mais graves quando se projeta o resto da competição: jogos envolvendo seleções de menor cartaz, que não mobilizam diásporas numerosas, poderão repetir o espetáculo de Guadalajara, minando a atmosfera que se espera de um evento desta magnitude.

À medida que o torneio avança, o debate promete intensificar-se. A investigação política nos EUA, somada à pressão de meios de comunicação globais, poderá forçar a FIFA a reavaliar os preços para fases mais adiantadas ou a adotar medidas de última hora para preencher os vazios. O verdadeiro teste, porém, será a capacidade de a organização equilibrar os interesses comerciais — que levaram ao encarecimento recorde das entradas — com o dever de garantir um espetáculo verdadeiramente global, acessível a todos os que fazem do futebol a sua paixão.

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Forbes12 de jun., 19:23
Viva.co.id12 de jun., 12:44
La Gaceta12 de jun., 17:22
RBK12 de jun., 19:23
NBC News12 de jun., 17:23
Haaretz12 de jun., 11:46
Al Ittihad12 de jun., 18:25
La Repubblica12 de jun., 18:23