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terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 06:00 CET

Tim Cook deixa liderança executiva da Apple; engenheiro John Ternus assume em setembro de 2026

Após quase 15 anos, o CEO da Apple cede o cargo a John Ternus, até agora chefe de hardware, e passará a presidente executivo do conselho. A transição, aprovada por unanimidade, ocorrerá a 1 de setembro de 2026.

Tecnologia32 veículos10 idiomas3 min de leituraAtualizado 07:46

A Apple anunciou na segunda-feira a saída de Tim Cook do cargo de diretor-executivo, que ocupará até ao final do verão de 2026. A 1 de setembro desse ano, o engenheiro John Ternus, atual vice-presidente sénior de engenharia de hardware, assumirá a liderança executiva da empresa, enquanto Cook se tornará presidente executivo do conselho de administração. A decisão, aprovada por unanimidade, foi descrita pela empresa como o resultado de um «longo e ponderado processo de planeamento de sucessão», segundo fontes do Golfo, e reflete uma transição planeada com antecedência que as agências russas sublinham ser atípica pela sua precisão temporal.

Cook deixa o cargo depois de um percurso em que a capitalização bolsista da Apple saltou de cerca de 350 mil milhões para mais de quatro biliões de dólares, impulsionada pelo êxito planetário do iPhone. Na imprensa norte-americana, o seu legado é lido como o triunfo do gestor discreto sobre o mito do fundador visionário: sem nunca ter criado um produto icónico, Cook construiu a máquina operacional e financeira que permitiu vender milhares de milhões de aparelhos. A imprensa alemã descreve-o como um «tecnocrata» obcecado por cadeias de abastecimento, enquanto a italiana recorda que os lucros anuais quadruplicaram sob a sua batuta e a imprensa indiana destaca a subida do valor de mercado em mais de 3,6 biliões de dólares.

John Ternus, 50 anos, entrou na Apple em 2001 e ascendeu na sombra, supervisionando o desenvolvimento de sucessivas gerações de iPad, iPhone, Mac e AirPods, bem como a arrojada transição dos computadores Mac para os chips próprios da empresa. A imprensa francesa traça o retrato de um engenheiro meticuloso, campeão de natação na juventude, que passou do anonimato ao centro da ribalta em poucos meses. A sua filosofia em relação à inteligência artificial — «Nunca pensamos em lançar uma tecnologia; pensamos em como usá-la para criar produtos extraordinários», disse numa entrevista recente — é vista por analistas como um sinal de que a Apple manterá uma abordagem pragmática, em contraste com os investimentos maciços e por vezes apressados de concorrentes como a Microsoft e a Google.

Em todo o mundo, a notícia foi interpretada como um ponto de viragem para uma empresa que nos últimos anos se habituou a aperfeiçoar mais do que a inventar. A imprensa persa e a indiana sublinham o peso simbólico da substituição de um timoneiro que conduziu a Apple para lá do legado de Steve Jobs, enquanto a imprensa russa nota que Cook continuará a dialogar com governos e reguladores a partir do novo cargo. Na perspetiva de Brasília e de Lisboa, a transição suscita a questão de saber se a próxima década trará à Apple um novo fôlego criativo ou se Ternus será, como Cook, um guardião de uma era cujo principal motor continua a ser o iPhone, agora desafiado pela saturação do mercado e pela ascensão da inteligência artificial.

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