Resgates subterrâneos em três continentes expõem riscos crescentes e cooperação transfronteiriça
Do Laos à Índia, passando pela China e EUA, incidentes em cavernas, minas e teleféricos obrigam a complexas operações de socorro. As fragilidades na segurança e o impacto das chuvas intensas estão sob escrutínio.

No centro do Laos, mergulhadores tailandeses que ajudaram no histórico salvamento da equipa de futebol juvenil em 2018 juntaram-se às equipas chinesas para tentar alcançar sete homens presos há quase uma semana na caverna de Xaisomboun. O grupo entrou no local em 19 de maio para procurar ouro e caçar, mas uma forte chuvada provocou inundações e deslizamentos que bloquearam a única saída. A passagem que ainda dá acesso ao interior tem apenas 60 centímetros de altura, dificultando a progressão dos socorristas. Em Vientiane, o chefe de uma associação de resgate admitiu não haver ainda «qualquer sinal de vida», enquanto a imprensa estatal descreve a operação como uma corrida contra o tempo.
A mesma urgência marcou a explosão na mina de carvão de Liushenyu, em Shanxi, no norte da China, no dia 22 de maio, que vitimou 82 mineiros e deixou 128 hospitalizados. A investigação apontou mapas subterrâneos imprecisos e a inexistência de sistemas de rastreio de pessoal como fatores que agravaram o desastre, numa mina que produz 1,2 milhões de toneladas anuais e integra o grupo empresarial Tongzhou. Em Pequim, o episódio reacendeu o debate sobre a fiscalização das minas privadas, enquanto em Nova Deli, a atenção se concentrava no resgate de mais de 200 pessoas que ficaram suspensas em teleféricos em Gulmarg, na Caxemira indiana, após uma falha técnica. Todas foram retiradas em segurança, mas a dimensão da operação evidenciou lacunas de manutenção em infraestruturas turísticas de grande altitude.
Nos Estados Unidos, um incidente de menor escala, mas não menos dramático, ocorreu na gruta de Merlin’s Cave, no estado de Nova Iorque. Um homem ficou encravado seis horas numa fenda que, segundo o guarda florestal John Gullen, «foi basicamente desenhada exatamente com a forma do corpo dele». O salvamento bem-sucedido, embora sem feridos graves, ilustra como mesmo atividades recreativas em zonas aparentemente controladas podem rapidamente transformar-se em emergências extremas.
Na perspetiva de capitais lusófonas com tradição mineira, como Brasília e Luanda, a sucessão de tragédias reforça a necessidade de regulamentação rigorosa e de partilha internacional de protocolos de salvamento. Especialistas em Lisboa notam que a colaboração entre equipas tailandesas e chinesas no Laos, espelhando a solidariedade vista em 2018, é um modelo a seguir, mas sublinham as pressões económicas – da mineração artesanal de ouro no Sudeste Asiático à extração de carvão na China – que levam comunidades a desafiar ambientes hostis. A ocorrência de chuvas torrenciais cada vez mais intensas, associadas às alterações climáticas, adiciona uma camada de imprevisibilidade que sistemas de alerta e resposta ainda não conseguiram acompanhar.
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