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Papa Leão XIV pede 'desarmar' inteligência artificial em histórica encíclica

Documento 'Magnifica Humanitas' condena guerra justa, pede perdão por escravidão e alerta para desumanização tecnológica, com presença de fundador da Anthropic.

Sociedade44 veículos12 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:57

No Vaticano, num gesto que ecoou dos Andes à Ásia, o papa Leão XIV publicou na segunda-feira a sua primeira encíclica, 'Magnifica Humanitas', um texto de 130 páginas que fixa a posição da Igreja Católica sobre a inteligência artificial e apela ao seu 'desarmamento'. Ladeado por especialistas como Christopher Olah, cofundador da Anthropic – empresa em rota de colisão com o Pentágono sobre usos militares da IA –, o pontífice norte-americano denunciou a 'corrida por algoritmos cada vez mais poderosos' e defendeu que a tecnologia não pode ser instrumento de exclusão ou morte. Olah, por sua vez, reconheceu que os laboratórios operam sob incentivos que 'por vezes entram em conflito com fazer a coisa certa', e classificou o eventual desemprego em massa como 'um imperativo moral de proporções históricas'.

A encíclica, assinada no 135.º aniversário da 'Rerum Novarum' de Leão XIII, insere a reflexão sobre a IA na longa tradição da doutrina social católica. O papa qualificou a escravatura como 'uma ferida na memória cristã' e pediu perdão pelo papel histórico do Vaticano em legitimá-la, desde a posse de escravos por instituições eclesiásticas até às bulas que autorizavam a subjugação de 'infiéis'. Em simultâneo, denunciou as 'novas formas de escravidão' por detrás da economia dos dados, num paralelo direto com a exploração industrial do século XIX.

A reação do governo Trump foi imediata. Fontes da Casa Branca criticaram o tom 'antibélico' do documento, que declara obsoleta a teoria da 'guerra justa' e proíbe confiar decisões letais a sistemas autónomos. Na perspetiva de Washington, o papa americano mina os esforços de desregulação da IA; para analistas europeus, o texto fornece uma 'gramática para a era algorítmica' e alinha-se com as aspirações regulatórias do Velho Continente. O alerta contra uma nova 'Torre de Babel' tecnológica, erguida por interesses comerciais e geopolíticos, foi particularmente destacado na imprensa financeira norte-americana.

Observadores na América Latina sublinharam a forte ênfase na 'desumanização' e na defesa do bem comum face ao domínio tecnocrático. No Brasil, a cobertura do Jornalismo lusófono acentuou o imperativo de impedir que a IA exerça 'domínio sobre o humano'. Em África e na Ásia, a encíclica foi lida como um apelo à justiça digital global, num momento em que o Sul Global teme tornar-se mero fornecedor de dados para as potências do Norte. A presença inédita de um magnata da tecnologia ao lado do papa sinaliza uma possível frente de alianças improváveis para conter os riscos existenciais da IA, ao mesmo tempo que a Igreja procura reafirmar-se como voz moral no debate multilateral sobre o futuro do trabalho, da paz e da própria condição humana.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa atlantica / anglosfera/ economicaallarmepragmatismo

Pope Leo XIV's first encyclical issues a stark economic warning on AI, depicting a future of mass job displacement and power concentrated among Big Tech firms. Unveiled alongside an Anthropic executive, the manifesto frames a moral imperative for policymakers to slow down and impose robust regulation before algorithms dominate humanity.

Stampa latinoamericana/ bolivariana_progressistaindignazionerevanscismo

Leone XIV's encyclical is a forceful denunciation of AI as a new tool of domination that dehumanizes society and fuels endless war, echoing Latin America's long struggle against imperialist structures. The historic apology for the Church's role in legitimizing slavery reinforces the call to dismantle systems of power, both old and new.

Stampa europea continentale/ mediterraneadistaccoscetticismo

Magnifica Humanitas places itself within the Church's social teaching tradition, offering a vocabulary for confronting the algorithmic age by insisting on the centrality of the human person. Drawing on the legacy of Rerum Novarum, Leo XIV calls for profound discernment, highlighting the risks of unchecked economic power and the need for regulation that does not demonize technology.

Stampa africana subsahariana/ anglofonaindignazionerevanscismo

In his landmark encyclical, Pope Leo XIV confronts the Church's complicity in slavery, offering a profound apology and linking historical exploitation to modern digital servitude. The pope frames AI as capable of entrenching new forms of domination, demanding its 'disarming' to prevent the recurrence of atrocities against human dignity.

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