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sexta-feira, 12 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Renascer no Azteca: Raúl Jiménez marca golo e chora na abertura do Mundial

O avançado mexicano, sobrevivente de uma fractura craniana que quase lhe custou a vida, estreou-se a marcar em Mundiais na vitória do México sobre a África do Sul (2-0), num ambiente de catarse colectiva.

Esporte8 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 22:05

O Estádio Azteca, onde Pelé e Eusébio escreveram páginas imortais, testemunhou esta quinta-feira a redenção de Raúl Jiménez. Aos 67 minutos do jogo inaugural do Mundial de 2026, o avançado de 35 anos elevou-se no segundo poste para cabecear um centro de Roberto Alvarado e selar o triunfo do México por 2-0 sobre a África do Sul, o seu primeiro golo em Copas do Mundo. A celebração foi um misto de euforia e dor: Jiménez apontou ambos os indicadores para o céu, em memória do pai, falecido há três meses, e desatou a chorar perante 80 mil espectadores que explodiram em júbilo.

O momento era a concretização de um longo e penoso regresso. Em 29 de novembro de 2020, durante um Wolverhampton-Arsenal, Jiménez chocou violentamente com o defesa brasileiro David Luiz. Sofreu uma fractura de crânio e uma hemorragia cerebral que obrigou a uma cirurgia de emergência; os médicos disseram-lhe que era um “milagre” estar vivo. Seguiram-se oito meses de recuperação e a obrigação de usar uma banda protetora acolchoada sobre a cabeça, uma “coroa de guerra” que se tornou a sua imagem de marca nas canchas inglesas.

A vitória mexicana havia sido aberta cedo, aos 9 minutos, por Julián Quiñones, mas o encontro perdeu fulgor após a expulsão do sul-africano Sphephelo Sithole no segundo tempo. Ainda assim, o desfecho foi histórico: pela primeira vez em oito tentativas, o México venceu o seu jogo inaugural num Mundial. Para Jiménez, foi o culminar de uma travessia que o levou a duvidar se voltaria a ser o mesmo.

A imprensa mexicana, como o Reforma, sublinhou o simbolismo patriótico do golo e a catarse nacional; observadores europeus, em Espanha e Itália, preferiram o registo do “milagre clínico” e da superação humana. Já os noticiários do mundo árabe e da Índia deram amplo relevo ao regresso improvável do herói, retratando-o como uma história universal de resiliência. Na América do Sul, o diário argentino La Nación destacou o contraponto entre a gravidade da lesão e a liderança do atacante na seleção.

Para o universo lusófono, que acompanha o torneio com olhos postos na evolução de Brasil e Portugal, a trajetória de Jiménez oferece um espelho de tenacidade. O México, anfitrião do Grupo A, terá agora de confirmar o favoritismo, e a emoção de Jiménez pode servir de catalisador para uma equipa que sonha em ir além dos oitavos-de-final, essa barreira que desde 1986 não consegue ultrapassar. O futebol, afinal, é também feito de segundas oportunidades.

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