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sexta-feira, 12 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

Atuação de Shakira na abertura do Mundial gera teorias de sósia e críticas ao playback

Apresentação da cantora colombiana com Burna Boy no Estádio Azteca foi questionada nas redes; artista respondeu com apelo à paz e à educação infantil, enquanto especialistas apontam para uso de IA na desinformação.

Esporte7 veículos2 idiomas3 min de leituraAtualizado 22:05

A cerimónia de abertura da Copa do Mundo de 2026, realizada no mítico Estádio Azteca, na Cidade do México, prometia ser um espetáculo de proporções globais. Com atuações de estrelas como Shakira, Maná e J Balvin, a festa que antecedeu o jogo entre México e África do Sul foi acompanhada por mais de 80 mil espectadores no estádio e milhões em todo o mundo. Contudo, o que ficou a ecoar nas redes não foram os elogios à grandiosidade do evento, mas uma torrente de especulações que colocavam em dúvida a própria presença da artista colombiana no palco. Mal terminara a interpretação de ‘Dai Dai’, o tema oficial do torneio, em parceria com o nigeriano Burna Boy, quando plataformas como X, TikTok e Instagram transbordaram de mensagens que afirmavam que a figura no palco não podia ser Shakira.

O cerne da controvérsia residia em pormenores visuais: o rosto parecia diferente, a utilização de óculos escuros foi interpretada como um disfarce e partes da performance foram consideradas pré-gravadas. Na perspetiva de analistas mexicanos e colombianos, tais alegações não eram inteiramente novas, mas ganharam uma dimensão inédita com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial capazes de gerar e propagar desinformação a uma velocidade vertiginosa. A imprensa europeia, como o diário italiano Libero Quotidiano, classificou prontamente o rumor como uma “teoria conspiratória absurda”, traçando um paralelo irónico com as histórias de sósias de figuras como Vladimir Putin. No Brasil e em Portugal, onde Shakira possui legiões de fãs, o debate também inflamou as comunidades digitais, amplificado pela viralidade dos conteúdos em espanhol e português.

Enquanto os rumores ganhavam corpo, veículos colombianos como El Colombiano assumiram um tom categórico de desmentido, com títulos como “As cadeiras não mentem”. Apresentaram evidências de que a artista, de facto, subiu ao palco, participando integralmente do número musical, e que os aparentes desajustes visuais podiam ser explicados por fatores técnicos, como a iluminação e o uso de playback — uma prática comum em eventos desta escala. A própria Shakira rompeu o silêncio nas redes com uma mensagem enigmática mas conciliadora, apelando à paz e ao foco na educação infantil, sem mencionar diretamente a polémica.

Este episódio projeta uma sombra sobre o resto do torneio e estabelece um patamar de exigência elevado para as próximas cerimónias de abertura, como notaram analistas na Cidade do México. A combinação entre a cultura de celebridades, a paixão futebolística e a fragilidade da verdade num ecossistema digital saturado de IA gerou uma tempestade perfeita. A atuação no Azteca ficará marcada não apenas pelo reencontro de Shakira com um Mundial — recorde-se que ela já imortalizara o ‘Waka Waka’ na África do Sul, em 2010 —, mas também como um caso de estudo sobre a velocidade com que narrativas falsas podem sequestrar a atenção do público, mesmo em eventos escrutinados ao pormenor.

À medida que os jogos prosseguem, a controvérsia tende a dissipar-se, mas as suas lições perduram. A rápida ação dos fact-checkers e a resposta da própria artista não anulam a desconfiança generalizada que a desinformação alimenta. Para os organizadores dos próximos grandes eventos, fica o alerta: num mundo hiperconectado, a verdade do que acontece no palco pode ser tão efémera quanto os fogos de artifício que iluminaram o céu mexicano naquela noite.

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Excelsior12 de jun., 18:22
La Gaceta12 de jun., 18:24
El Espectador12 de jun., 17:25
A2412 de jun., 17:24
Libero Quotidiano12 de jun., 11:46
El Mundo12 de jun., 12:44
El Colombiano12 de jun., 19:25