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Papa Leão XIV classifica aumento de gastos militares europeus como 'traição' à diplomacia

O sumo pontífice afirmou que o rearmamento agrava tensões e insegurança, empobrece setores sociais e enriquece elites, alertando ainda para os perigos da inteligência artificial nos conflitos.

Geopolítica5 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 06:29

Perante estudantes da Universidade Sapienza, em Roma, o papa Leão XIV condenou na quinta-feira (14 de maio) o crescimento dos orçamentos militares na Europa, classificando-o como uma “traição” à diplomacia. Numa intervenção com forte carga ética, o pontífice rejeitou o termo “defesa” para descrever o rearmamento em curso. “Não chamemos de ‘defesa’ um rearmamento que aumenta as tensões e a insegurança, empobrece os investimentos em educação e saúde, trai a confiança na diplomacia e enriquece elites que não se importam com o bem comum”, afirmou, acrescentando que o mundo está a ser “mutilado pelas guerras”.

A condenação surge num momento em que os gastos militares europeus registaram, no último ano, a maior subida desde o fim da Guerra Fria, pressionados pelas exigências do presidente norte-americano, Donald Trump. O papa já havia desagradado a Casa Branca ao criticar a guerra contra o Irão, e agora cruza novamente uma agenda transatlântica cada vez mais tensa. A agência noticiosa russa Interfax deu destaque ao discurso, citando o apelo do pontífice para que se vigie o desenvolvimento da inteligência artificial nas esferas militar e civil, “para que não prive as pessoas de responsabilidade”. Em Moscovo, a crítica ao rearmamento europeu é lida como um sinal de convergência com as narrativas que contestam a expansão militar ocidental.

Observadores em Lisboa notam que as palavras de Leão XIV ecoam num país onde, apesar da pertença à NATO, o investimento em defesa permanece abaixo das metas e onde a tradição diplomática é valorizada. Em Brasília, a visão do papa é interpretada como um reforço da posição histórica do Brasil – sobretudo do atual governo Lula – de privilegiar a resolução pacífica de conflitos e a crítica ao militarismo. Nos países africanos de língua portuguesa, onde persistem conflitos armados como a insurgência em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, a defesa de mais investimento em educação e saúde em detrimento do arsenal bélico encontra eco em organizações da sociedade civil.

O pontífice lançou ainda um alerta sobre o uso da inteligência artificial em cenários de conflito, sublinhando a necessidade de manter o controlo humano sobre as novas tecnologias. A intervenção acontece num contexto em que a União Europeia pondera novos mecanismos de financiamento militar, e deverá acentuar o debate sobre a ética do rearmamento e a coesão das alianças ocidentais. A longo prazo, a voz do Vaticano poderá encorajar uma corrente de diplomacia preventiva, em contraponto à lógica de dissuasão que voltou a dominar o tabuleiro geopolítico.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa latinoamericana · bolivariana_progressistaStampa russa e CSI · statoStampa atlantica / anglosfera · sicurezza
Stampa latinoamericana/ bolivariana_progressistaindignazioneallarme

The pope accuses Europe of betraying diplomacy through massive rearmament driven by Washington's pressure. His denunciation highlights how disproportionate increases in military spending drain resources from education and health while the world is being 'maimed by wars'. Latin American media emphasize the stark contrast between the rhetoric of defense and the reality of an arms build-up that fuels tensions and enriches elites.

Stampa russa e CSI/ statoschadenfreudescetticismo

Russian media report the pope's criticism of the 'colossal' increase in European military spending, highlighting how it undermines trust in diplomacy. They emphasize the paradox of calling 'defence' an arms build-up that increases instability and impoverishes social sectors. The narrative conveys a sense of schadenfreude over internal Western divisions, confirming Russian skepticism toward European security policies.

Stampa atlantica / anglosfera/ sicurezzadistaccopragmatismo

The agency neutrally reports the pope's strong condemnation of the rise in European military spending, the highest since the end of the Cold War, driven by Trump's pressure. It quotes the pontiff's remark that the world is 'maimed by wars' but adds no partisan commentary. The report focuses on facts and the political context, including previous tensions between the pope and the White House.

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