Chefe da CIA em Havana leva recado de Trump e Cuba nega abrigar bases chinesas
Diretor da CIA visita a ilha pela primeira vez desde a revolução de 1959 e transmite mensagem do presidente americano: engajamento só com mudanças fundamentais, em meio à crise energética e acusações de bases militares.

O diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, John Ratcliffe, desembarcou em Havana na quinta-feira para encontros de alto nível com o ministro do Interior cubano e o chefe dos serviços de inteligência da ilha. A visita, a primeira de um diretor da CIA a Cuba desde a revolução comunista de 1959, foi confirmada tanto por Washington como pelo governo cubano. Segundo fontes da CIA citadas pela Fox News e pela Reuters, Ratcliffe transmitiu pessoalmente uma mensagem do presidente Donald Trump: os Estados Unidos estão dispostos a um engajamento sério nas áreas económica e de segurança, mas apenas se Cuba realizar “mudanças fundamentais”. A conta oficial da CIA divulgou imagens das reuniões, sublinhando o carácter excecional do gesto diplomático.
A resposta oficial de Havana, divulgada em comunicado e reproduzida por várias agências, procurou desfazer o que considera pretextos para a manutenção de sanções. O governo cubano reiterou que a ilha “não representa ameaça à segurança nacional dos EUA” e que não há “razões legítimas” para a sua inclusão na lista de Estados patrocinadores do terrorismo — designação que a administração Trump restabeleceu. O texto acrescentou que Cuba nunca apoiou atividades hostis contra território americano e que “não permitirá que atos contra qualquer outro país sejam executados a partir do seu solo”, numa referência direta às acusações de que Havana estaria a acolher bases militares chinesas. O encontro realizou-se no “contexto de complexidade” das relações bilaterais, indicou a nota cubana, mas a disponibilidade para o diálogo ficou manifesta.
A deslocação de Ratcliffe coincidiu com um agravamento sem precedentes da crise energética na ilha. A escassez de gasóleo e fuelóleo, agravada pelo reforço do bloqueio norte-americano, paralisou hospitais, escolas e serviços públicos. Washington ofereceu uma ajuda de 100 milhões de dólares para mitigar os efeitos do cerco petrolífero, mas o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, respondeu que a solução passava, antes, pelo levantamento do embargo. Observadores em Lisboa e em Brasília notam que a dimensão humanitária da crise confere urgência a qualquer aproximação, ao mesmo tempo que coloca pressão sobre a retórica condicional de Trump.
A natureza das “mudanças fundamentais” exigidas pela Casa Branca permanece indefinida, mas analistas nos países lusófonos apontam que o pedido poderá abranger reformas políticas internas e um distanciamento de atores como a China e a Rússia. Para nações africanas de língua portuguesa com laços históricos com Cuba — como Angola e Moçambique — o episódio reaviva memórias da Guerra Fria e do papel cubano nas independências. A capacidade de Havana de equilibrar a pressão norte-americana com a preservação do seu modelo político será decisiva para o futuro do diálogo, num tabuleiro onde a ilha tenta escapar à asfixia económica sem ceder a soberania.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
The CIA director made a rare visit to Cuba to deliver a Trump message. The US is ready to seriously engage on economic and security issues, but only under certain conditions from Cuba. The visit is portrayed as a conditional rapprochement attempt.
The Cuban government hosted the CIA director in Havana, emphasizing that Cuba poses no threat to the US and should not be on the terrorism list. The meeting was described as a contribution to political dialogue between the two countries amid complex relations. The narrative highlights Cuba's defensive stance and the injustice of the US blockade.
The CIA chief's visit to Cuba comes as the island faces a severe energy crisis worsened by the US blockade. The meeting was presented as a dialogue effort, but Cuba reiterated it is not a threat to the US. The text strongly criticizes US policy, highlighting the suffering caused by sanctions.
Esta notícia apareceu em
5 veículos · 2 idiomas · janela de 24 horas