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Moscovo divulga lista de alvos na Europa e Medvedev fala em “legítimos”

Ministério da Defesa russo publicou endereços de fábricas de drones para a Ucrânia; Medvedev declarou-os potenciais alvos militares, enquanto o Kremlin remeteu para a posição do ministério.

Geopolítica10 veículos5 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:57

A Rússia elevou esta semana o tom de ameaça contra países europeus que fornecem drones à Ucrânia, ao divulgar uma lista de 21 instalações — em 11 países, incluindo Estados‑membros da UE e NATO — que considera “potenciais alvos legítimos” para as suas forças armadas. A lista, publicada pelo Ministério da Defesa russo na terça‑feira, identifica moradas de empresas na Alemanha, Reino Unido, Espanha, Itália, Letónia, Lituânia, República Checa, Dinamarca, Países Baixos e Polónia, além de uma em Israel e outra na Turquia [A7][A11]. Dmitri Medvedev, vice‑presidente do Conselho de Segurança, escreveu na rede X que a iniciativa ministerial deve ser interpretada “à letra” e que a concretização de eventuais ataques “dependerá da evolução da situação” [A1][A13].

Na perspetiva de Moscovo, a decisão de várias capitais europeias de aumentar a produção e a entrega de drones de ataque a Kiev representa uma “escalada deliberada” que arrasta a Europa para a guerra [A4][A7]. O porta‑voz do Kremlin, Dmitri Peskov, escusou‑se a comentar especificamente as palavras de Medvedev, remetendo para o comunicado do Ministério da Defesa e sublinhando que o envolvimento direto dos países da UE no conflito está a crescer [A3][A10][A12]. Em paralelo, o presidente do Conselho de Segurança, Serguei Choigu, invocou o direito à autodefesa e apontou que Estados bálticos e a Finlândia cedem espaço aéreo para voos de drones ucranianos [A10].

A imprensa europeia interpretou a divulgação dos endereços como uma mistura de aviso e intimidação, num momento em que a Ucrânia obtém êxitos na guerra de drones contra posições russas [A11]. O diário espanhol La Vanguardia destacou a presença na lista da empresa UAV Navigation, do grupo Oesía, em San Sebastián de los Reyes (Madrid), enquanto o italiano Il Fatto Quotidiano assinalou que a ameaça surge na mesma semana em que Volodymyr Zelensky se reuniu em Roma com o ministro da Defesa, Guido Crosetto, para negociar um quadro de parceria estratégica em sistemas não tripulados [A2][A9]. O Frankfurter Allgemeine Zeitung notou que o Ministério russo enumerou tanto filiais de empresários ucranianos na Europa como empresas estrangeiras fabricantes de componentes [A4]. Já o site russo Meduza, atualmente baseado no exílio, revelou que um dos endereços indicados em Munique corresponde, afinal, a um prédio residencial, pondo em causa o rigor das informações de Moscovo [A8].

Para os países de língua portuguesa, a lista não inclui quaisquer instalações em território lusófono, mas a demonstração de força inquieta observadores em Lisboa e Brasília, onde diplomatas acompanham o risco de que a retórica russa se traduza numa extensão geográfica do conflito. O académico norueguês Glenn Diesen alertou nas redes sociais que Medvedev está a “advertir os europeus contra uma escalada suplementar”, sugerindo que o Ocidente multiplica os estímulos para provocar uma resposta militar [A5].

A publicação de coordenadas tão detalhadas representa uma fronteira nova na guerra psicológica entre a Rússia e a Europa. Embora Peskov não tenha confirmado a iminência de ataques, Medvedev deixou claro que a transição da “possibilidade” para a “realidade” está condicionada à leitura que o Kremlin fizer dos próximos passos ocidentais. Nesse equilíbrio frágil, uma única ação europeia — como a instalação de novas linhas de montagem de drones — pode ser interpretada por Moscovo como justificação para ataques cinéticos em solo aliado, testando os limites do artigo 5.º da NATO.

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