Irão restabelece internet internacional após quase três meses de apagão digital
Acesso foi parcialmente restaurado após ordem do presidente Masoud Pezeshkian, mas cidadãos temem que seja temporário. Apagão de até 88 dias devastou negócios e isolou milhões, enquanto o país tenta projetar normalidade.

Após quase três meses de desconexão forçada, o Irão começou a reabrir o acesso à internet internacional na última segunda-feira, por ordem do presidente Masoud Pezeshkian. A duração exata do bloqueio varia conforme os relatos: enquanto monitores internacionais apontam 87 ou 88 dias, fontes em Teerão falam de um regresso quase total em apenas 40 dias de corte, seguidos por ameaças que mantiveram a rede sob controlo. A decisão foi descrita por responsáveis iranianos como um sinal de retorno à normalidade após as hostilidades com os Estados Unidos e Israel, mas o restabelecimento, ainda gradual e parcial, é marcado por um profundo receio de que a abertura possa ser efémera.
Do ponto de vista económico, a paralisação digital teve um impacto devastador. Profissionais como Rana, uma designer gráfica de Teerão, viram-se sem qualquer possibilidade de trabalhar durante meses: “Internet é uma necessidade na nossa época”, afirmou, sublinhando que todas as suas áreas de atuação — design, marketing, publicidade e eventos — dependiam da rede. A análise do Brasil, por meio da imprensa económica de São Paulo, ecoa a mesma preocupação: empresas dependentes do comércio internacional sofreram perdas severas, enquanto milhões de pessoas ficaram subitamente desempregadas. O estudante de engenharia Kian Galvani resumiu o alívio do regresso: “Nunca fiquei tão feliz em minha vida ao ver as notificações do Telegram”.
A dimensão humana do isolamento foi captada por relatos vindos de Israel e da diáspora iraniana. Para muitos cidadãos, a experiência foi comparável a uma prisão. “Sinto-me como se tivesse saído da cadeia e estou em choque”, confessou uma residente de Teerão, que passou 88 dias sem conseguir comunicar com familiares ou aceder a notícias independentes. No interior do governo, há divisões profundas sobre a manutenção do bloqueio, o que alimenta a desconfiança popular quanto à continuidade do serviço. As autoridades parecem caminhar sobre uma linha ténue: responder às expectativas de uma população que criticava cada vez mais a situação, ao mesmo tempo que tentam manter um controlo rigoroso sobre a circulação de informação.
Observadores em Lisboa e em capitais africanas de língua portuguesa acompanham o processo com atenção, não apenas pela solidariedade com o sofrimento civil, mas também pelas implicações geoeconómicas. O Irão mantém relações comerciais, nomeadamente no setor petrolífero, com países lusófonos que acompanham de perto a estabilidade digital da região. Ainda que o tráfego internacional dê sinais de retoma, especialistas alertam que a reconstrução da confiança digital e a recuperação dos negócios destruídos levarão muito tempo, e que o país está longe de regressar a uma normalidade autêntica. A reabertura parcial pode, assim, ser apenas o primeiro capítulo de uma longa negociação entre a necessidade de abertura económica e o instinto de controlo político.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Atlantic press blames the Iranian regime for a self-imposed 88-day digital blackout that crippled businesses and deepened economic hardship; the gradual restoration is framed as a regime ploy, with the internet far from normal and recovery uncertain.
Continental European press frames the 88‑day digital blockade as a tool of mass repression that strangled the economy, severed family ties and deepened political oppression in a country already battered by war, inflation and sanctions; the gradual restoration brings cautious hope, but deep mistrust persists.
Israeli press places the story squarely in the war with Israel and the US, underlining regime divisions over restoring access and the widespread fear that the internet return is temporary; citizens describe feeling released from prison, mixing joy with shock.
Latin American outlets report Iranians' relief at reconnecting after 88 days, yet highlight skepticism about future stability and the damage to businesses and freelancers; the restoration is seen as the government's attempt to project normalcy after the war, while censorship lingers.
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