Inflação global resiste e alimentos mantêm pressão sobre o custo de vida
IPCA do Brasil fica em 0,58% em maio, mas acumula 4,72% em 12 meses; Argentina, Índia e Espanha também registram altas persistentes nos preços dos alimentos, desafiando bancos centrais.

A inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA, desacelerou para 0,58% em maio, após registrar 0,67% em abril, mas a variação acumulada em 12 meses permaneceu em 4,72%, acima do teto da meta de 4,5% perseguido pelo Banco Central. Os dados, divulgados pelo IBGE, revelam que o grupo de alimentação e bebidas foi o principal vilão, com alta de 1,33%, respondendo por metade da inflação mensal. Em Brasília, a leitura é de desconforto: especialistas avaliam que a composição do índice, ainda muito pressionada por alimentos, mantém o cenário adverso para a política monetária.
Essa pressão não é exclusividade brasileira. Na Argentina, o IPC nacional avançou 2,1% em maio, com os alimentos subindo 2,5%, segundo o INDEC. Em Nova Déli, o índice de preços ao consumidor da Índia acelerou para 3,93%, com a inflação de alimentos a 4,78%, impulsionada por tomates e gengibre, enquanto as batatas registraram deflação. Na Europa, a Espanha manteve a taxa anual em 3,2%, mas itens básicos como ovos (13,7%), pescado (9,7%) e leguminosas (16%) continuam a subir de forma expressiva, corroendo o poder de compra das famílias. Em comum, a resiliência dos preços dos alimentos desafia as autoridades monetárias, que veem o núcleo da inflação demorar a ceder.
No Brasil, o governo Lula enfrenta o dilema de equilibrar o crescimento com o controle inflacionário, especialmente em ano eleitoral. O IPCA acima do teto por meses consecutivos pressiona o Banco Central a manter os juros elevados, enquanto os salários, reajustados pelo INPC (que acumula 4,42% em 12 meses), perdem a corrida contra a carestia dos alimentos. Em Lisboa, analistas observam que a persistência da inflação em economias emergentes pode ter efeitos cambiais e de contágio nos países lusófonos africanos, fortemente dependentes de importações de alimentos.
As perspectivas para os próximos meses permanecem incertas. No Brasil, estimativas privadas indicam que a inflação de junho pode ficar abaixo de 0,30%, mas o acumulado de 12 meses tende a demorar para convergir à meta de 3%. Na Argentina, projeções apontam para possível perfuração do patamar de 2% em junho, mas a sazonalidade e os preços internacionais de commodities agrícolas seguem como fatores de risco. Em todas as geografias, desde Bangalore até Buenos Aires, a trajetória dos preços dos alimentos será determinante para o alívio ou agravamento do custo de vida, com implicações diretas na estabilidade social e nas taxas de juros globais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
A inflação brasileira permanece acima do teto da meta em maio, impulsionada pelos preços de alimentos e energia, pressionando o governo Lula. Analistas expressam preocupação de que a taxa esteja desconfortavelmente alta e possa forçar o banco central a reconsiderar cortes de juros. O foco está no impacto no poder de compra e na credibilidade do governo.
French and Spanish inflation figures for May were broadly in line with expectations, with a slight uptick in France due to energy prices. In Spain, food price inflation moderated but certain staples remain elevated. The overall tone is one of cautious stability, with no immediate alarm over monetary policy.
India's retail inflation accelerated to 3.93% in May from 3.48% in April, driven by higher food prices. Food inflation climbed to 4.78%, with items like tomatoes and jewellery seeing sharp increases. The data keeps the central bank watchful, though inflation remains within the tolerance band.
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