Guerra no Médio Oriente arrasta crescimento global para mínimo pós-pandemia
Banco Mundial e Bundesbank revêem em baixa projeções económicas; estrangulamento do Estreito de Ormuz dispara preços da energia e penaliza países em desenvolvimento.

O conflito no Médio Oriente, centrado num potencial confronto entre os Estados Unidos e o Irão, está a provocar um abrandamento económico global que já é comparado ao choque da pandemia de COVID-19. O Banco Mundial, no seu relatório semestral "Global Economic Prospects", reduziu a previsão de crescimento mundial para 2,5% em 2026, o valor mais baixo desde a crise sanitária, contra os 2,9% estimados para 2025. Simultaneamente, o Bundesbank alemão reviu em baixa as projeções para a maior economia europeia: o produto interno bruto da Alemanha deverá crescer apenas 0,5% em 2026, metade do anteriormente esperado para 2027. A escalada dos preços da energia, agravada pelo encerramento do Estreito de Ormuz – via de passagem vital para o petróleo e gás –, está no centro das revisões.
Na perspetiva de Berlim, o alarme é particularmente agudo. O Bundesbank alerta que a explosão dos custos energéticos está a corroer o poder de compra das famílias e a estrangular empresas já fragilizadas por estrangulamentos nas cadeias de abastecimento. O presidente Joachim Nagel procurou, ainda assim, injetar alguma esperança, antecipando uma retoma em 2028, sustentada por uma descida dos preços da energia, pela aceleração da economia mundial e por investimentos públicos. Contudo, o cenário imediato é de estagnação: a previsão para 2027 foi quase reduzida a metade, de 1,3% para 0,8%.
Observadores em Teerão e no Golfo Pérsico sublinham o papel central do bloqueio do Estreito de Ormuz, que o Irão terá fechado em resposta às hostilidades. O Banco Mundial estima que o preço do barril de Brent possa atingir uma média de 94 dólares em 2026, um aumento de 36% face a 2025, assumindo que as perturbações mais graves diminuam a partir de julho. A partir de Washington, a instituição alerta que dois terços das economias viram as suas projeções revistas em baixa desde janeiro. O impacto é assimétrico: as nações em desenvolvimento, em particular as de baixo rendimento, são as mais expostas. Em Acra e noutras capitais da África Ocidental, incluindo os países lusófonos como Cabo Verde e Guiné-Bissau, o relatório projeta que, até 2028, as economias em desenvolvimento excluindo China e Índia terão acumulado quase uma década sem progresso rumo aos níveis de rendimento dos países avançados.
O relatório do Banco Mundial contempla ainda um cenário de agravamento: se as disrupções energéticas se intensificarem e a confiança dos mercados financeiros se deteriorar, o crescimento global poderá cair para 1,3%, com uma inflação mundial de 4,4%. A fragilidade do cessar-fogo entre Washington e Teerão, referida por analistas, mantém este risco latente. Apesar das projeções de uma ligeira melhoria para 2,8% em 2027, o crescimento continuará 0,4 pontos percentuais abaixo da média da década de 2010. A recuperação, quando chegar, será lenta e desigual, deixando cicatrizes profundas nas economias mais vulneráveis do Sul Global.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
O banco central alemão alerta que a guerra no Irã está custando prosperidade ao país, reduzindo o crescimento do PIB a meros 0,5% em 2026 e quase pela metade as previsões para 2027. Ainda assim, o presidente do Bundesbank expressa esperança de que a economia retome fôlego até 2028, impulsionada pela queda dos preços da energia.
O Banco Mundial alerta que o conflito no Oriente Médio reduzirá o crescimento global ao ritmo mais fraco desde o início da pandemia de COVID-19, com os países em desenvolvimento a sofrer o maior impacto. A disparada dos preços da energia, a inflação e o aumento dos custos de financiamento estão a sufocar a recuperação, e as previsões para dois terços das economias foram revistas em baixa.
A imprensa iraniana repercute o alerta do Banco Mundial sobre as consequências da guerra Irã-EUA: o fechamento do Estreito de Ormuz perturbou gravemente os mercados de energia, e o petróleo Brent deve disparar. O crescimento global cairá para 2,5%, o nível mais baixo desde a pandemia, enquanto a economia iraniana sofre as pressões do conflito.
A imprensa do Golfo árabe relata que o Banco Mundial reduziu as previsões de crescimento global ao nível mais baixo desde a era COVID, alertando para o agravamento dos efeitos econômicos dos eventos no Oriente Médio. Os países em desenvolvimento de baixa renda sofrerão o impacto mais severo, enquanto as perturbações energéticas e os problemas de abastecimento ameaçam uma escalada adicional.
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