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segunda-feira, 8 de junho de 2026 · Edição das 20:00 CET

China nega que Xi Jinping tenha elevado tom com Trump sobre Japão

Pequim desmente relato do Financial Times de que presidente chinês se irritou ao criticar remilitarização japonesa; Trump defendeu primeira-ministra Takaichi.

Geopolítica8 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:59

A controvérsia emergiu quando o Financial Times noticiou, com base em sete fontes, que o presidente chinês, Xi Jinping, elevou a voz e se mostrou agitado ao abordar o rearmamento japonês durante o encontro com Donald Trump em Pequim. Pequim reagiu prontamente: a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Mao Ning, afirmou que o conteúdo das reportagens “não corresponde às informações de que dispõe o lado chinês”, negando qualquer exaltação do líder. A desautorização insere-se no padrão de respostas da diplomacia chinesa quando relatos da imprensa estrangeira expõem tensões nos bastidores.

Segundo as reconstituições da reunião, Xi teria criticado de forma dura a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi — vista como linha-dura em relação a Pequim — pelo que qualificou de “remilitarização” do Japão. O assunto não fazia parte da pauta previamente acordada, o que surpreendeu a delegação norte-americana. Trump, por sua vez, defendeu Takaichi, justificando o aumento dos gastos de defesa de Tóquio como resposta à crescente ameaça da Coreia do Norte. A troca de palavras foi descrita como o momento mais tenso dos dois dias de cimeira, expondo a profundidade da desconfiança sino-japonesa e o potencial de atritos entre aliados regionais.

O episódio ocorre num contexto em que o Japão flexibiliza restrições constitucionais às suas forças armadas, movimento que Pequim interpreta como ameaça à estabilidade do Indo-Pacífico. Observadores em Brasília e Lisboa notam que o incidente ilustra como questões históricas da Ásia Oriental continuam a perturbar o diálogo entre grandes potências, com repercussões para a segurança coletiva e para as cadeias de comércio globais. O desconforto chinês com o reforço militar nipónico ecoa também em países lusófonos com interesses estratégicos na região, como Timor-Leste, onde a presença económica chinesa se cruza com parcerias de defesa com o Japão e os Estados Unidos.

Após o fim da cimeira, Trump telefonou a Takaichi do avião presidencial Air Force One, gesto interpretado como uma declaração de apoio político. Pequim mantém a versão de que a narrativa do Financial Times carece de fundamento, mas a história já circula nos meios diplomáticos. Analistas em Washington avaliam que o episódio pode reforçar a coesão entre Washington e Tóquio, ao mesmo tempo que alimenta a perceção de que a liderança chinesa reage com irritação a temas de segurança que considera vitais. O desmentido de Pequim, ao invés de encerrar o caso, sublinha o quão sensível é para o regime a imagem de firmeza de Xi Jinping no xadrez geopolítico.

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