Vance nega pagamento ao Irã em acordo sobre estreito de Ormuz e programa nuclear
Vice-presidente dos EUA desmente informações falsas e afirma que prioridades de Washington e aliados estão em primeiro plano.

O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, usou as redes sociais nesta sexta-feira para desmentir categoricamente o que classificou como "informações falsas" sobre um possível acordo com o Irã que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do programa de armas nucleares do regime. Num movimento coordenado com uma publicação anterior do presidente Donald Trump, Vance afirmou que os iranianos "não receberão qualquer dinheiro vivo" e que nenhum ativo será libertado apenas pela assinatura de um acordo ou pela participação em reuniões. A declaração surge num momento de grande volatilidade diplomática, com Washington a tentar aliviar tensões num dos pontos de estrangulamento mais críticos para o comércio global de petróleo.
Vance sublinhou que o acordo foi "estruturado de forma a colocar as preocupações dos Estados Unidos e dos seus aliados em primeiro lugar" e que, se o Irão cumprir os seus compromissos, benefícios económicos poderão ser gerados para o país e para toda a região. Acrescentou ainda que o entendimento tem o "potencial de reestruturar a região e abrir caminho para uma paz duradoura". Numa crítica velada a setores tanto nos EUA como no estrangeiro, o vice-presidente apontou o dedo a quem "há um mês chamava Trump de presidente histórico e agora critica com base em notícias não confirmadas", bem como a "quem diz não confiar numa palavra da Guarda Revolucionária Iraniana mas acredita em publicações anónimas nas redes sociais".
A perspetiva de um acordo com o Irã ressoa de forma distinta nos países lusófonos. Para o Brasil, grande produtor de petróleo, uma estabilização do Estreito de Ormuz poderia reduzir a volatilidade dos preços do crude, beneficiando as exportações do pré-sal, mas também esfriaria o prémio geopolítico que valoriza o petróleo brasileiro. Em Portugal, a segurança do abastecimento energético e a descida dos preços dos combustíveis seriam bem-vindas, mas observadores em Lisboa alertam que o alívio das sanções poderia reanimar um regime contestado. Já em Angola, a normalização do fornecimento no Golfo Pérsico competiria com o petróleo angolano nos mercados asiáticos, inserindo pressão adicional sobre as finanças já frágeis de Luanda.
Apesar do tom otimista de Vance, o caminho para um entendimento definitivo permanece incerto. A história de acordos com Teerão, como o JCPOA de 2015, ensina que o escrutínio político em Washington e a desconfiança mútua podem torpedear qualquer compromisso. A insistência de Vance em que não haverá transferências financeiras diretas procura acalmar os falcões do Congresso, mas o diabo estará nos detalhes do mecanismo de garantias. Se a diplomacia sobreviver à retórica, o Médio Oriente poderá assistir a uma rara janela de oportunidade, com consequências que se estenderiam muito além da região.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
The US vice president stressed that Iran will receive no upfront cash, and that the agreement prioritizes American and allied concerns. He suggested that economic benefits would only follow if Iran fulfills its commitments, positioning the deal as a potential regional peacemaker.
The US vice president stated that the potential agreement with Iran is structured to prioritize the interests of the United States and its allies. He denied any cash payments to Iran, indicating that only after Iranian compliance would economic benefits flow to the region, potentially leading to lasting peace.
Vance refuted claims of financial concessions to Iran, asserting that no assets would be released for signing. He argued that the agreement could fundamentally reshape the region and pave the way for enduring peace, provided Iran meets its obligations.
The US vice president denounced widespread misinformation about a potential deal, insisting that the Iranian regime will receive no cash. He stressed that any agreement must first address US and allied security concerns, and only then might economic benefits materialize if the regime complies.
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