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Union Berlin nomeia Marie-Louise Eta, primeira mulher a treinar equipa masculina nas ligas de topo

Antiga campeã europeia assume interinamente o comando do clube da capital alemã após despedimento de Baumgart, com a missão de evitar a descida em cinco jornadas.

Sociedade8 veículos4 idiomas2 min de leituraAtualizado 10:35

A história do futebol europeu ganhou um novo capítulo no último fim de semana: Marie-Louise Eta, de 34 anos, tornou-se a primeira mulher a assumir o cargo de treinadora principal de uma equipa masculina numa das cinco grandes ligas do continente. O Union Berlin anunciou a promoção da técnica dos sub-19 e futura responsável pela equipa feminina para substituir Steffen Baumgart, demitido na sequência da derrota por 3-1 no terreno do Heidenheim, último classificado da Bundesliga. A decisão, comunicada na noite de sábado, quebrou uma barreira centenária no futebol de elite.

O clube da capital alemã ocupa o 11.º lugar, mas atravessa um momento crítico: apenas duas vitórias nos últimos catorze jogos, um segundo turno que o diretor-executivo Horst Heldt classificou de "desastroso". Eta terá cinco partidas para assegurar a permanência na divisão principal. Uma repórter do jornal Bild, que a observou num jogo dos sub-19, descreveu-a como "barulhenta, presente, intransigente" e relatou o instante em que a técnica recebeu um cartão amarelo após protestar veementemente: "Por que apitam cada porcaria, mantenham uma linha, porra!" — um vislumbre do temperamento que agora leva para o banco da Bundesliga.

Na perspetiva de Brasília, a nomeação ecoa num cenário onde o debate sobre mulheres no comando de equipas masculinas ainda é incipiente, sendo vista como possível catalisador para romper preconceitos no futebol brasileiro. Observadores em Lisboa notam que, embora Portugal registe avanços na presença feminina em cargos técnicos, nenhuma treinadora alcançou um posto equivalente numa liga profissional de topo. Em Luanda e Maputo, onde as barreiras estruturais são ainda maiores, a notícia é recebida como um símbolo de que a mudança é possível, ainda que distante.

O desfecho desta aposta do Union Berlin será acompanhado com lupa. Caso Eta consiga a manutenção, abrirá portas para que outros clubes europeus considerem mulheres para os seus bancos, desafiando a ideia de que a experiência no futebol masculino é um requisito exclusivo. Se a descida se confirmar, o significado simbólico permanecerá, mas novas oportunidades poderão ser adiadas. Independentemente do resultado, a temporada 2024/25 já entrou para os anais como o momento em que a Bundesliga desbravou um caminho que as restantes grandes ligas terão de ponderar.

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