Trump volta a nomear Cameron Hamilton para liderar a FEMA, um ano após demiti-lo
A nomeação surpreendente reverte a demissão de Hamilton, que defendera a existência da agência, e sinaliza um recuo nos planos de desmantelamento da FEMA enquanto se aproxima a temporada de furacões.

O presidente norte-americano Donald Trump nomeou Cameron Hamilton para chefiar a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), numa reviravolta que surpreendeu analistas em Washington. Hamilton, ex-membro dos Navy SEAL, fora demitido em maio de 2025 do cargo de administrador interino, um dia depois de declarar num subcomité da Câmara dos Representantes que não seria do interesse do povo americano extinguir a agência — posição que colidia com as frequentes ameaças de Trump de a desmantelar. A sua saída foi então justificada pelo confronto com o presidente e com a então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem.
Agora, um ano mais tarde, a nomeação parece indicar um arrefecimento da hostilidade governamental à FEMA, precisamente quando se avizinha a temporada de furacões no Atlântico. A imprensa latino-americana sublinha que a agência enfrenta reduções de pessoal e que a última época ciclónica não registou qualquer furacão a atingir o território continental dos EUA, o que pode gerar uma falsa sensação de segurança. Na última semana, um conselho de peritos nomeado pelo próprio Trump recomendou alterações profundas ao modelo de funcionamento da FEMA, sinalizando que a administração pode optar por uma reforma profunda em vez da extinção pura e simples.
Na perspetiva de Moscovo, a decisão da Casa Branca é interpretada como um abrandamento da posição inicial. A agência russa Interfax salienta que, se confirmado pelo Senado, Hamilton se tornará o primeiro líder permanente da FEMA no segundo mandato de Trump e atuará como principal conselheiro do presidente e do secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin. Para leitores do mundo lusófono, a trajetória da FEMA ecoa debates sobre a sustentabilidade de estruturas de resposta a catástrofes. No Brasil, onde a Defesa Civil opera de forma capilarizada, a possibilidade de desmantelamento de uma agência federal de emergências soa como um alerta sobre os riscos da fragmentação. Em Portugal e nos países africanos de língua oficial portuguesa, muitas vezes dependentes de coordenação central para enfrentar cheias e secas, a hesitação americana sublinha a importância de instituições permanentes e com recursos garantidos.
Com a confirmação ainda incerta no Senado, Hamilton regressaria a uma FEMA em plena reestruturação, com menos funcionários e sob o escrutínio de quem defende alterações drásticas. A sua experiência anterior em planeamento de emergência para eventos terroristas no Departamento de Estado e no Departamento de Segurança Interna confere-lhe um perfil técnico, mas a defesa intransigente da missão da agência poderá voltar a colocá-lo em rota de colisão com a ala mais radical da administração. A temporada de furacões, que começa a 1 de junho, testará rapidamente a capacidade da FEMA e do seu eventual líder permanente para responder a desastres com um quadro de pessoal reduzido e uma doutrina ainda em debate.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
The Atlantic press frames Cameron Hamilton's nomination as a pragmatic reversal by the Trump administration, after he was fired for clashing over the agency's very existence. The coverage focuses on the need for a Senate-confirmed leader ahead of hurricane season, with a descriptive and analytical tone.
Russian state-aligned media reports the news with detachment, highlighting that Hamilton was fired for opposing FEMA's dismantling. The nomination is seen as a sign of the White House softening its stance, but without enthusiasm, almost as a tactical move.
Latin American media highlights the urgency of the nomination just days before the start of hurricane season, noting FEMA's staff reductions. The tone is concerned but factual, with an eye on practical consequences for the Caribbean region.
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