OpenAI inicia processo de IPO e intensifica corrida bilionária da inteligência artificial
A dona do ChatGPT apresentou pedido confidencial à SEC, uma semana após a rival Anthropic e na véspera da estreia da SpaceX no Nasdaq. As três ofertas somam avaliações de até 3,6 biliões de dólares.

A OpenAI, criadora do ChatGPT, formalizou discretamente o seu pedido de entrada em bolsa nos Estados Unidos, ao entregar um formulário S-1 confidencial à Securities and Exchange Commission na última segunda-feira. O anúncio, que a própria empresa justificou como forma de antecipar-se a fugas de informação, acontece apenas sete dias depois de a sua principal rival, a Anthropic, ter feito um movimento idêntico e a poucos dias da aguardada estreia da SpaceX de Elon Musk no Nasdaq. Em comunicado, a OpenAI sublinhou que ainda não definiu um calendário, admitindo que a operação poderá demorar, porque «há coisas que queremos fazer que provavelmente são mais fáceis como empresa privada». Nos bastidores, contudo, os bancos Goldman Sachs e Morgan Stanley apontam o outono como a janela mais provável para a colocação.
O gesto da OpenAI insere-se numa vaga de IPOs que está a redesenhar o ecossistema financeiro da inteligência artificial. A Anthropic fechara pouco antes uma ronda de financiamento de 65 mil milhões de dólares que a avaliou em 965 mil milhões, enquanto a própria OpenAI se autoavaliou em 852 mil milhões numa operação de março, e a SpaceX se prepara para se apresentar ao mercado com uma avaliação de 1,75 biliões de dólares. Somadas, as três operações ascendem a uma carteira potencial de 3,6 biliões de dólares, o que equivale ao PIB de várias economias do G7. Observadores em Lisboa notam que esta concentração de capital em empresas norte-americanas acentua a assimetria tecnológica global e pode influenciar as prioridades de regulação europeia da IA, num momento em que Bruxelas aplica o AI Act e procura equilibrar inovação e soberania digital.
Para além das avaliações astronómicas, a corrida às bolsas reflete a voracidade de recursos que a inteligência artificial exige: centros de dados, contratação de investigadores e treino de modelos cada vez mais colossais. De acordo com a OpenAI, serão necessários cerca de 600 mil milhões de dólares em infraestrutura até 2030. Este apetite financeiro ecoa também nos mercados lusófonos. Em Brasília, analistas apontam que a abertura de capital destas gigantes poderá, por via indireta, dinamizar o ecossistema brasileiro de IA, facilitando parcerias e transferência de tecnologia, embora subsista o risco de concentração de talento e de dados nas mãos de poucos players globais.
No entanto, a euforia é temperada por advertências. Especialistas contactados pela Forbes alertam que o acesso precoce de investidores comuns a estas ações será provavelmente volátil, dadas as incertezas regulatórias e a feroz competição entre pesos-pesados como Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft. A própria OpenAI admite dilemas entre a flexibilidade de empresa privada e as exigências de transparência do mercado. Em Maputo ou Luanda, onde a digitalização avança, a eventual materialização de um novo ciclo de investimento poderá, a prazo, reduzir os custos de acesso a serviços cognitivos, mas também levanta interrogações sobre dependência tecnológica e privacidade de dados. O desfecho desta tripla estreia será, assim, um termómetro não só da saúde do mercado, mas também da arquitetura futura do poder tecnológico mundial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
O processo de abertura de capital da OpenAI começou oficialmente, sendo a última grande startup de IA a dar esse passo. Com uma avaliação potencial acima de um trilhão de dólares, a operação fecha um círculo: em poucas semanas, as três empresas que estão a reformular a inteligência artificial global procuraram entrar no mercado. O registo confidencial inicia um percurso de vários meses, com o outono a ser a janela mais provável.
A abertura de capital da OpenAI é o marco mais recente de uma corrida ao ouro da inteligência artificial que desperta euforia nos investidores. Apenas uma semana após um movimento semelhante da rival Anthropic, o registo confidencial assinala uma corrida frenética ao capital, com todos os grandes atores da IA a fazer fila para avaliações de biliões de dólares. Até a administração Trump está a negociar uma participação, acrescentando drama político à febre financeira.
O registo confidencial da OpenAI segue-se ao da Anthropic e surge enquanto a SpaceX já está numa fase avançada, alimentando avisos de que a vaga de mega-IPO de 2026 pode ser o prelúdio de um crash da bolsa. Os analistas encaram estas ofertas gigantescas, com avaliações de biliões, como uma bolha perigosa que pode acabar por rebentar, potencialmente conduzindo a uma forte queda dos mercados.
A OpenAI apresentou confidencialmente o pedido de IPO, mas a empresa alertou que a cotação pode demorar. Embora os pequenos investidores possam em breve ter acesso a uma ação badalada de IA, os especialistas avisam que a exposição precoce a estes gigantes tecnológicos recém-cotados acarreta riscos significativos, devido a avaliações elevadas e rentabilidade incerta.
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