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Editor do 'Dozhd' condenado à revelia a 8 anos de prisão na Rússia

Tikhon Dziadko foi sentenciado por divulgar relatos de crimes em Bucha e por desrespeitar a lei de 'agentes estrangeiros', com multa e proibição de administrar sítios na Internet.

Legislação5 veículos2 idiomas2 min de leituraAtualizado 06:53

O tribunal moscovita Gоловинский condenou esta terça-feira, à revelia, Tikhon Dziadko, diretor do canal independente 'Dozhd', a oito anos de prisão em colónia penal de regime geral. A sentença, que inclui ainda uma multa de 250 mil rublos e a proibição de gerir páginas na Internet durante quatro anos, foi motivada por duas publicações no Telegram relacionadas com acontecimentos nas localidades ucranianas de Bucha e Irpen, em 2022. O Ministério Público acusou o jornalista de difundir 'falsidades' sobre as Forças Armadas russas e de não ostentar a menção de 'agente estrangeiro' exigida por lei.

A decisão surge na sequência de uma longa perseguição judicial. Em abril do ano passado, Dziadko foi colocado em lista de procurados; em outubro, o tribunal decretara a prisão preventiva também à revelia e incluíra o seu nome no registo de terroristas e extremistas. Durante o julgamento, a acusação solicitara uma multa de 5,9 milhões de rublos, mas o valor foi drasticamente reduzido na sentença final. O próprio visado reagiu com sobriedade, afirmando que continuará a trabalhar com o 'Dozhd' e que, 'perante as tragédias reais do quotidiano, isto é uma ninharia'. Noutra declaração, considerou que o veredicto 'não tem nada que ver com a lei nem com a justiça' e que representa a 'ritualidade de qualquer sistema repressivo'.

Analistas em Lisboa assinalam que a condenação se insere num padrão de sufoco da comunicação social independente na Rússia, intensificado após a invasão da Ucrânia. A legislação sobre 'notícias falsas' e a figura do 'agente estrangeiro' têm sido instrumentalizadas para silenciar vozes críticas, recordam observadores em Brasília, onde o caso é visto como um alerta para os riscos globais de erosão da liberdade de imprensa. A sentença em contumácia reflete a impossibilidade de julgar o jornalista em território russo, uma vez que este se encontra no exílio, mas não impede a execução simbólica e jurídica da pena.

Para o espaço lusófono, o episódio ecoa debates sobre a proteção do jornalismo em contextos autoritários. Em países africanos de língua portuguesa que ainda consolidam a sua democracia, a situação russa serve de aviso sobre os perigos da criminalização do exercício profissional. Apesar da condenação, a equipa do 'Dozhd', baseada no estrangeiro, promete manter a cobertura independente, sustentada por doações. A evolução do caso dependerá de possíveis apelos internacionais, mas o sinal do Kremlin é claro: a dissidência informativa continuará a ser tratada como ameaça à segurança nacional.

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