Xi em Pyongyang: Pequim reafirma influência sobre aliado enquanto Pyongyang equilibra Moscovo
Encontro do presidente chinês com Kim Jong-un, o primeiro em sete anos, selou promessas de comércio e coordenação estratégica, enquanto o silêncio sobre desnuclearização reforça o eixo Pequim-Pyongyang num cenário de competição com Moscovo.

A viagem de Xi Jinping a Pyongyang, a primeira desde 2019, simbolizou o esforço de Pequim para reatar laços que se haviam distendido perante a aproximação acelerada entre Kim Jong-un e Vladimir Putin. Recebido com coreografias de massas e um banquete de Estado, o líder chinês prometeu "abrir um novo futuro" na cooperação bilateral e expandir o comércio, agricultura e tecnologia. Kim, por sua vez, reiterou o apoio incondicional ao princípio de "uma só China", num gesto de alinhamento estratégico face a Washington e Taipé.
O regresso de Xi à capital norte-coreana ocorre num momento em que a Rússia de Putin tem ocupado o lugar de principal parceiro de Pyongyang, fornecendo cereais e energia em troca de munições e soldados para a guerra na Ucrânia. Analistas europeus sublinham que a visita serviu para recordar a Kim que, sem o abrigo económico chinês, o regime não sobrevive, apesar da retórica de "futuro do socialismo" proclamada pelos dois líderes. A imprensa alemã notou que, ao contrário de cimeiras anteriores, não houve qualquer menção à desnuclearização da península – um recuo tácito que legitima o estatuto nuclear de Pyongyang.
Em Tóquio, o governo japonês acompanhou a cimeira com "sério interesse", recolhendo informações sobre eventuais conversas militares e destacando que um aprofundamento da cooperação de defesa entre China e Coreia do Norte, somado ao vínculo com Moscovo, tornaria o ambiente de segurança "mais severo". Observadores em Lisboa e nas capitais lusófonas poderão ler o movimento como um exemplo da complexa gestão de riscos que potências médias como o Japão e a Coreia do Sul têm de enfrentar: Seul, aliás, também ensaia a sua própria reaproximação a Pequim, mas por setores e sem romper com Washington, conforme análises da imprensa japonesa. Do mundo persa, a visita foi noticiada como a consolidação de uma "aliança temida" que une o peso económico chinês ao arsenal nuclear norte-coreano, redefinindo o equilíbrio de poder no nordeste asiático.
Sem acordos concretos, a deslocação de Xi assinala uma recalibragem pragmática: Pequim não pode permitir que o vizinho imprevisível se alinhe exclusivamente com Moscovo, mas também não está disposta a pressioná-lo publicamente sobre o programa atómico. Para o Atlântico Sul, a lição é que a diplomacia presidencial, mesmo sem resultados palpáveis, permanece um instrumento de contenção geopolítica, enquanto as chancelarias brasileira e portuguesa monitorizam o tabuleiro asiático onde a guerra fria do século XXI ganha contornos mais perigosos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
A visita foi um espetáculo luxuoso cheio de pompa e canções patrióticas, mas os dois líderes evitaram deliberadamente qualquer menção à desnuclearização. Xi Jinping ficou em silêncio enquanto a autoconfiança de Kim Jong Un crescia, sublinhando a erosão da pressão internacional sobre Pyongyang. Comentadores europeus veem isso como uma vitória estratégica para Kim e um sinal do desprezo pragmático da China pela não proliferação nuclear.
O encontro entre Xi Jinping e Kim Jong Un abriu um novo capítulo de cooperação estratégica entre as duas nações amigas, reafirmando o seu compromisso comum com a soberania e a paz regional. Num ambiente internacional hostil, esta cimeira demonstrou a força do eixo Pequim-Pyongyang. A narrativa iraniana retrata o acontecimento como um triunfo da solidariedade anti-hegemónica e um alinhamento pragmático contra a interferência ocidental.
A cimeira entre Xi e Kim selou a aliança mais temida do mundo, unindo duas potências nucleares num pacto que poderá abalar a ordem global de Washington a Moscovo. A celebração chinesa do maior entendimento pouco faz para atenuar o alarme sobre um novo eixo de proliferação nuclear e coordenação militar. Para muitos na região, isto é um desafio direto à hegemonia americana e uma perigosa escalada na rivalidade entre grandes potências.
A viagem de Xi Jinping reafirmou o papel indispensável da China na manutenção da estabilidade regional e mostrou que a Coreia do Norte não pode prescindir do apoio económico de Pequim. A cimeira alcançou um consenso crítico, consolidando a posição da China como parceira essencial para o futuro de Pyongyang. Os analistas chineses sublinham que o empenho diplomático de Pequim é uma força estabilizadora que impede a península de cair no caos.
Esta notícia apareceu em
22 veículos · 10 idiomas · janela de 24 horas