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Trump rompe tradição e ataca Papa Leão XIV; pontífice responde sem recuar

Presidente chama sumo pontífice de 'fraco' e publica imagem de IA como Jesus; Papa afirma não temer administração americana e manterá críticas à guerra no Irão.

Geopolítica26 veículos5 idiomas3 min de leituraAtualizado 10:17

O ataque sem precedentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Papa Leão XIV – o primeiro pontífice americano da história – marcou uma rutura inédita entre a Casa Branca e o Vaticano. Na noite de domingo, na rede social Truth, Trump classificou o sumo pontífice de “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”, reagindo às críticas da Santa Sé à guerra no Irão. O Papa tinha considerado “inaceitável” a ameaça de Trump de que “uma civilização inteira morrerá esta noite” e alertara para um “delírio de omnipotência” a alimentar o conflito. Trump foi mais longe: afirmou que, sem a sua presidência, Leão XIV não estaria no Vaticano, por a Igreja ter escolhido um americano para melhor o enfrentar.

A ofensiva incluiu a publicação de uma imagem gerada por inteligência artificial onde Trump aparece como Jesus a impor as mãos sobre um homem adormecido. Aos jornalistas, na base militar de Andrews, o presidente reiterou não ser “fã” do pontífice, acusando-o de liberalismo e de tolerância com o crime. A bordo do avião a caminho da Argélia, o Papa respondeu com serenidade: “Não tenho medo da administração Trump. Continuarei a falar em voz alta contra a guerra”. Sublinhou ainda que seguirá “o que acredito ser a missão da Igreja no mundo de hoje”, rejeitando equiparar a sua mensagem evangélica aos ataques políticos.

A reação internacional foi imediata e de ampla condenação. Os bispos católicos dos EUA manifestaram “desalento” e recordaram que o Papa não é um rival político, mas “o Vigário de Cristo”. Em Itália, o presidente Sergio Mattarella elogiou o apelo à paz do pontífice, enquanto a imprensa do Vaticano se dizia consternada, com o padre Antonio Spadaro a classificar as palavras de Trump como “uma declaração de impotência”. Nos jornais alemães e espanhóis, o episódio foi descrito como um ato “extraordinário” e uma quebra total das convenções diplomáticas.

Do ponto de vista geopolítico, o confronto revela clivagens profundas. Para analistas asiáticos, o ataque “despedaça normas diplomáticas” e pode isolar ainda mais os EUA no cenário global. No mundo lusófono, a notícia foi acolhida com apreensão: o Brasil, maior país católico, vê com preocupação o potencial dano à imagem do diálogo inter-religioso, enquanto Portugal, de estreitas relações históricas com a Santa Sé, considera o gesto um perigoso precedente para as relações entre Washington e a fé católica. A ofensiva contra o Papa surge num momento em que a diplomacia vaticana se empenha na pacificação do Irão e de outros focos de tensão, amplificando o risco de fratura entre o poder temporal e a autoridade moral.

O desfecho deste choque entre dois líderes americanos globais permanece incerto. A viagem do Papa Leão XIV a África – a primeira de um pontífice à Argélia – sublinha a sua determinação em não recuar. Para a administração Trump, o custo político interno entre os cerca de 70 milhões de católicos dos EUA pode ser significativo. Num mundo marcado por polarizações, o Vaticano parece apostar em manter-se como voz independente, enquanto a Casa Branca testa os limites da reverência religiosa na era do populismo. A história recorda que papas e presidentes já divergiram, mas nunca um ataque tão pessoal e direto tinha sido desferido, assinalando uma nova fase nas relações entre o poder secular e a Sé Apostólica.

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