Trump insiste que guerra com Irão está 'quase no fim', mas reforça presença militar
Presidente dos EUA promete desfecho rápido, mas cessar-fogo expira a 21 de abril e Pentágono envia mais 10 mil soldados e impõe bloqueio naval no Golfo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou esta semana que a guerra com o Irão está “muito perto do fim”, numa série de entrevistas que dominaram a imprensa norte-americana. Contudo, as suas palavras contrastam com os movimentos militares em curso: o Pentágono reforça a presença no Médio Oriente com cerca de 10 mil soldados adicionais e a Marinha mantém um bloqueio naval que paralisa 90% do comércio marítimo iraniano, conforme relatam fontes militares e diplomáticas citadas por órgãos de comunicação ocidentais e russos. O cessar-fogo de duas semanas, acordado para permitir as negociações, expira a 21 de abril, mas Washington nega ter pedido a sua prorrogação, enquanto mediadores tentam evitar o colapso da trégua.
As conversações diretas entre Washington e Teerão, retomadas em Islamabad a 11 de abril sob mediação do Paquistão, terminaram sem acordo imediato, apesar do “progresso significativo” reconhecido pelo vice-presidente J. D. Vance, que lidera a delegação americana. A imprensa árabe e europeia dá conta de que uma segunda ronda poderá ocorrer ainda esta semana, possivelmente em Genebra ou novamente no Paquistão, mas Trump admitiu procurar um local alternativo. Do lado iraniano, Teerão mantém-se aberta ao diálogo, embora rejeite qualquer “submissão”, e propôs permitir a livre passagem de navios pelo lado omanita do Estreito de Ormuz, de acordo com fontes citadas pela Reuters. Paralelamente, a China apresentou um plano de quatro pontos para a estabilidade regional, e a Rússia ofereceu-se para compensar eventuais défices energéticos, revelou a imprensa italiana e russa.
A realidade no terreno desmente o otimismo presidencial. O bloqueio naval, implementado na segunda-feira com 12 a 15 navios posicionados no Golfo de Omã, foi classificado por Teerão como “pirataria”. Fontes da Defesa dos EUA confirmaram que a operação impede a entrada e saída de navios de portos iranianos, agravando uma crise energética global que o FMI alerta poder conduzir a uma recessão. Além disso, a Casa Branca enviou mais fuzileiros para a região, numa demonstração de força que, para observadores em Moscovo e Nova Deli, contradiz o discurso de que o conflito está prestes a terminar. A imprensa indiana destaca que, ao mesmo tempo que Trump fala num fim próximo, os comandos militares preparam-se para uma eventual escalada.
O contexto regional também se aquece: em Washington decorrem conversações “construtivas” entre Israel e o Líbano, e a Itália suspendeu a renovação automática de um memorando de cooperação militar com o Estado hebraico, conforme noticiado pela imprensa italiana. A diplomacia do Vaticano foi abalada por críticas do Papa Francisco à guerra, rebatidas por Vance. Trump, por seu lado, sugeriu que um acordo definitivo é “possível até ao final de abril”, eventualmente antes da visita do rei Carlos III, e afirmou, sem confirmação independente, que o Irão já concordou em renunciar à arma nuclear — a mesma exigência que o líder americano justificou como razão para os bombardeamentos conjuntos com Israel iniciados em 28 de fevereiro. Analistas em Bruxelas e Pequim veem nesta ambiguidade uma estratégia para manter a pressão máxima sobre Teerão, ao mesmo tempo que se exploram todas as vias negociais.
Com o prazo do cessar-fogo a esgotar-se e sem garantias de extensão, os próximos dias serão decisivos. Se as conversações não produzirem um novo compromisso, a renovação das hostilidades poderá arrastar o Golfo Pérsico para uma crise ainda mais profunda, com consequências para o abastecimento energético mundial e para os equilíbrios geopolíticos que unem potências como China, Rússia e os Estados do Sul Global.
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