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terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 06:00 CET

Trump garante que Xi lhe prometeu não armar o Irão; dúvidas persistem

Trump afirma que Xi Jinping lhe garantiu que a China não fornece armas ao Irão, mas Pequim não confirma. Relatórios de inteligência apontam para possíveis transferências de mísseis portáteis, num contexto de tensão no Estreito de Ormuz.

Geopolítica6 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:00

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou na quarta-feira que o homólogo chinês, Xi Jinping, lhe assegurou, por carta, que Pequim não está a fornecer armas ao Irão. A troca de correspondência ocorreu num momento de elevada tensão no Médio Oriente e de suspeitas em Washington sobre possíveis transferências militares chinesas para Teerão. Trump afirmou, numa entrevista à Fox Business, que escrevera a Xi pedindo-lhe que não armasse o Irão, tendo recebido uma resposta em que o líder chinês dizia “essencialmente” não o estar a fazer. A garantia, contudo, não foi confirmada oficialmente por Pequim, o que mantém um véu de incerteza sobre o compromisso.

Relatórios dos serviços de informações norte-americanos, citados por meios como a CBS e o Bild, apontavam para a possibilidade de a China estar a preparar o envio de mísseis portáteis de defesa antiaérea (Manpads) para o regime iraniano, o que agravou os receios em Washington. Trump sugeriu ainda uma ligação implícita entre a promessa chinesa e a segurança do Estreito de Ormuz, a via marítima vital para o comércio global de petróleo. “Eles estão muito felizes por o estreito se abrir permanentemente”, escreveu na sua rede Truth Social, insinuando que a cooperação chinesa sobre as armas estaria condicionada ao interesse de Pequim na livre circulação de crude. A declaração reforça a perceção de que a Casa Branca procura envolver a China na estabilização da região, ao mesmo tempo que mantém pressão máxima sobre o Irão.

Na Europa, a notícia foi recebida com ceticismo. Em Berlim, a revelação dos Manpads pelo tabloide Bild sublinhou a vulnerabilidade representada por este tipo de armamento, que pode cair nas mãos de grupos não estatais. Já em Moscovo, o diário Vedomosti destacou a afirmação de Trump de que não haverá qualquer acordo se o Irão procurar armas nucleares, e que a operação militar contra Teerão está próxima do fim — sinal de que o presidente americano mantém a ameaça militar como pano de fundo das negociações. Para analistas em Lisboa, a ausência de confirmação chinesa ecoa padrões anteriores de ambiguidade estratégica de Pequim, que mantém laços comerciais e energéticos profundos com o Irão, mas evita compromissos explícitos que possam exacerbar tensões com os EUA.

Para o mundo lusófono, o episódio é observado com preocupação, sobretudo pelo seu potencial impacto nos mercados petrolíferos. O Brasil, como grande exportador de petróleo, beneficia da estabilidade no Golfo Pérsico, mas também teme a volatilidade de preços. Em Luanda, a diplomacia angolana acompanha os desenvolvimentos no quadro da OPEP, onde o equilíbrio entre Irão e Arábia Saudita é crucial. Portugal, por seu lado, alinhado com a política externa europeia, vê na incerteza sino-americana um fator de risco para a segurança energética do continente. A promessa de Xi, se se confirmar, pode adiar uma crise imediata, mas a desconfiança mútua entre Washington e Pequim — alimentada por divergências em Taiwan, tarifas e influência global — torna frágeis tais entendimentos pontuais. O teste real será a verificação independente de que nenhum armamento chinês chega ao Irão, algo que as agências de informação ocidentais continuarão a monitorizar.

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El Sol de México
Vedomosti
Bild
India Today
The Washington Post
CBS News