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Trump impõe Acordos de Abraão como condição para paz com o Irão

Trump exige adesão obrigatória aos Acordos de Abraão para encerrar a guerra com o Irão, enquanto prosseguem os bombardeamentos no sul do país.

Geopolítica16 veículos2 idiomas3 min de leituraAtualizado 04:57

Na segunda-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, condicionou qualquer acordo de paz com o Irão à assinatura «obrigatória» dos Acordos de Abraão por um bloco de nações muçulmanas, da Arábia Saudita ao Paquistão. Numa longa publicação na sua rede Truth Social, Trump afirmou que todos os países envolvidos nas negociações devem, «no mínimo, assinar simultaneamente» os acordos que normalizam relações com Israel — um movimento que, segundo fontes norte-americanas e israelitas, foi comunicado de forma imperativa a Riade, Doha, Ancara e Islamabade, e que o próprio descreveu como podendo tornar-se «o mais importante tratado» da história regional. O gesto inclui ainda o Egipto, a Jordânia e a Turquia, e foi apresentado como contrapartida pelo «trabalho feito pelos Estados Unidos para montar este puzzle complexo».

A exigência, porém, coincidiu com uma escalada militar que Teerão rapidamente classificou de «violação grosseira» do frágil cessar‑fogo em vigor há quase sete semanas. Bombardeamentos norte-americanos no sul do Irão, designadamente na província de Hormozgan, foram justificados pelo Comando Central dos EUA como acções de «autodefesa» contra lançadores de mísseis e embarcações que colocavam minas. A contradição entre o tom negocial — o secretário de Estado Marco Rubio admitiu que um acordo pode «demorar apenas alguns dias» — e a continuação dos ataques foi imediatamente assinalada em capitais do Médio Oriente, onde analistas veem um padrão de pressão máxima que dificulta a credibilidade do processo.

A reação nas capitais árabes foi de cautela. Riade, que já normalizara relações com Israel, reiterou por meio do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman que a adesão definitiva requer um «caminho claro» para a solução de dois Estados, condição transmitida diretamente a Trump, segundo a diplomacia sueca. Os restantes países visados não deram sinais públicos de aceitação imediata. Trump, por seu lado, advertiu que o fracasso das negociações significará o regresso ao «campo de batalha, maior e mais forte do que nunca». Esta tentativa de reconfigurar o mapa diplomático da região num só gesto insere-se na lógica disruptiva que já levou Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão a assinar os Acordos de Abraão, mas o alargamento forçado a nações como o Qatar e o Paquistão enfrenta resistência enraizada.

Observadores em Brasília notam que a instabilidade crescente no Golfo pressiona os preços do petróleo, com impacto direto na economia brasileira e nos países lusófonos africanos produtores, como Angola. Em Lisboa, diplomatas acompanham com apreensão o risco de escalada, que ameaça comunidades portuguesas no Irão e no Golfo, e interrogam-se sobre a viabilidade de um pacto que mistura ultimatos militares com exigências de normalização diplomática. A estratégia trumpista, ao atar o fim da guerra a um realinhamento regional de fôlego, introduz um fator de imprevisibilidade que pode tanto precipitar um acordo histórico como reacender um conflito de consequências globais.

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