Moscou exige retirada de estrangeiros de Kiev e anuncia nova vaga de bombardeamentos
Governo russo adverte diplomatas e cidadãos para abandonarem a capital ucraniana de imediato, como retaliação a um ataque com drones num dormitório em Lugansk ocupada, e ameaça centros de decisão.

A Rússia emitiu nesta segunda-feira um alerta para que diplomatas e cidadãos estrangeiros abandonem Kiev “o mais rapidamente possível”, diante do que descreveu como uma “campanha sistemática” de represálias contra centros de decisão e comando ucranianos. A declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, reproduzida pela imprensa europeia e árabe, surgiu após um fim de semana de ataques maciços que atingiram a capital com centenas de drones e mísseis — incluindo o hipersónico Oreshnik —, causando entre duas e quatro mortes e cerca de cem feridos, conforme diferentes balanços.
A justificação apresentada por Moscovo remete para o ataque com drones ucranianos que, no dia 22 de maio, vitimou 21 pessoas num dormitório estudantil em Starobilsk, na região ocupada de Lugansk. A versão russa, difundida por agências de notícias suecas e italianas, fala em mortes civis; Kiev nega, afirmando ter alvejado uma unidade militar. Em paralelo, o Serviço de Segurança da Ucrânia reivindicou, no domingo, um ataque a uma estação de bombeamento de petróleo na região russa de Vladimir, num sinal de que a guerra de infraestruturas energéticas prossegue nos dois sentidos.
Os anúncios de Moscovo indicam que os novos bombardeamentos terão como alvos instalações da indústria de defesa aérea, centros de desenvolvimento de drones e postos de comando. A dimensão da ameaça levou a diplomacia russa a advertir também os residentes de Kiev para se manterem afastados das “infraestruturas militares e administrativas”. A imprensa árabe, em particular, destacou o ineditismo do aviso público, interpretando-o como a antecâmara de uma escalada significativa.
Na perspetiva de Brasília, o recrudescimento dos ataques contra a capital ucraniana acende alertas sobre a segurança das representações diplomáticas brasileiras — o Brasil mantém embaixada em Kiev e tem defendido, em fóruns multilaterais, uma solução negociada que preserve a neutralidade. Observadores em Lisboa notam que o uso reiterado do míssil Oreshnik ilustra a vontade russa de testar novos vetores hipersónicos em cenário de combate real, um elemento que a NATO acompanha com apreensão, dada a proximidade geográfica de Portugal ao teatro de operações alargado. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, a posição predominante continua a ser de distanciamento, embora a pressão sobre os preços dos cereais e da energia reforce a urgência de um cessar-fogo.
As próximas semanas serão cruciais para perceber se a ameaça russa se concretiza numa nova vaga de destruição sobre Kiev ou se funciona sobretudo como instrumento de pressão psicológica. A combinação de retaliação declarada, alerta a estrangeiros e demonstração de capacidade tecnológica aponta para uma estratégia de Moscovo que procura, ao mesmo tempo, moldar o campo de batalha e o tabuleiro diplomático global.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Moscow threatens systematic strikes on Kyiv, urging foreign nationals and diplomats to leave immediately. The retaliation is justified as a response to an earlier Ukrainian attack on a student dormitory in the occupied Luhansk region.
After a weekend of Russian strikes that killed at least four and wounded about a hundred, Moscow warns of further attacks on the Ukrainian capital. Amid this escalation, foreign nationals are told to leave Kyiv.
Esta notícia apareceu em
10 veículos · 4 idiomas · janela de 24 horas