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Irã reabre Estreito de Ormuz durante trégua, mas alerta para novo bloqueio

Teerã garante passagem de navios comerciais enquanto durar o cessar-fogo no Líbano, mas ameaça fechar a rota se o bloqueio norte-americano prosseguir; petróleo recua 10%.

Geopolítica8 veículos2 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:00

O Irã anunciou nesta sexta-feira que o Estreito de Ormuz permanecerá “totalmente aberto” durante o período restante do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah no Líbano, mas condicionou a manutenção da medida ao fim do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. A decisão foi comunicada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, e confirmada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, que advertiu que, se o cerco americano persistir, o trânsito de embarcações pelo Golfo Pérsico e pelo Mar de Omã não será tolerado. O anúncio levou a uma queda imediata de 10% no preço do petróleo, aliviando mercados globais que temiam uma interrupção mais prolongada da via por onde escoa cerca de 20% do comércio mundial de crude.

A Casa Branca, contudo, manteve o bloqueio sob as sanções ordenadas por Donald Trump. O presidente norte-americano afirmou que “não há pontos de bloqueio” para um acordo de paz e que o cerco só será retirado quando Teerã ceder às exigências de um pacto duradouro. Fontes regionais apontam que as negociações se aproximam de uma segunda ronda, possivelmente já este fim de semana, enquanto o atual alto ao fogo bilateral entre Washington e Teerã expira na próxima quarta-feira. A fragilidade da trégua ficou exposta quando o Irã, ao mesmo tempo em que abriu o estreito, ameaçou expandir o bloqueio ao Mar Vermelho e a outras rotas marítimas críticas se os EUA não recuarem.

Para o Brasil, grande importador de petróleo e gás, a volatilidade no Golfo representa uma ameaça direta à estabilidade dos preços dos combustíveis. Analistas em Brasília observam que a queda do barril reflete uma expectativa de alívio temporário, mas a incerteza quanto à prorrogação do cessar-fogo e à evolução das conversações em Omã mantém o risco de novos choques. Em Lisboa, diplomatas acompanham com apreensão o agravamento da crise, lembrando que a Europa depende do fornecimento estável de energia que transita pelo Estreito de Ormuz, e que um bloqueio prolongado poderia reacender pressões inflacionárias já sentidas após a invasão da Ucrânia.

Apesar do tom conciliatório de Teerã nos últimos dias, a linguagem dual — abertura condicional acompanhada de ameaças — evidencia a utilização do Estreito de Ormuz como arma estratégica de negociação. A Guarda Revolucionária iraniana já estabeleceu que qualquer trânsito de navios comerciais exigirá autorização prévia e seguirá rotas designadas, reforçando o controlo sobre o fluxo. O impasse põe em relevo a complexidade de um acordo mais amplo: enquanto o regime dos aiatolás procura suspender as sanções que asfixiam a sua economia, Washington exige garantias de um cessar definitivo das hostilidades, não apenas no Líbano, mas em todo o Médio Oriente. A comunidade internacional, da África lusófona aos Bálcãs, observa atenta a um tabuleiro onde a arma petrolífera pode definir a paz — ou a guerra.

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