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terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 06:00 CET

Trump apaga imagem de Jesus e intensifica confronto com o Papa Leão XIV

Presidente dos EUA publicou montagem com figura cristã, depois apagada, alegando tratar-se de um médico. Vance pede que Vaticano se limite à moral, enquanto guerra no Irão alimenta a crise.

Sociedade14 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:56

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apagou esta segunda-feira uma imagem gerada por inteligência artificial que o mostrava como uma figura semelhante a Jesus Cristo, depois de ter atacado duramente o Papa Leão XIV. Trump justificou a publicação dizendo que se via como médico, associando a ilustração à Cruz Vermelha — "era eu como médico, a melhorar pessoas", afirmou —, mas a controvérsia já se alastrava desde o fim de semana. Horas antes, tinha difundido na rede Truth Social uma mensagem em que apelidava o pontífice de "fraco em matéria criminal" e "desastroso em política externa", acusando-o de não condenar as restrições a cultos durante a pandemia e de defender que o Irão tenha armas nucleares. Para Trump, Leão XIV, natural de Chicago, "devia estar grato" porque só chegou ao papado por ser americano.

A reação internacional não se fez esperar. Na imprensa norte-americana, analistas classificaram a publicação como uma "viragem para a blasfémia", sublinhando que até conservadores religiosos se distanciaram do gesto, numa altura em que a guerra contra o Irão já desgasta a coligação de Trump. Na Europa, diários italianos e suíços destacaram o ineditismo do choque entre um presidente dos EUA e o primeiro papa nascido em solo americano, enquanto a BBC recolhia testemunhos de católicos indignados e pedia que os dois líderes "se unissem". Observadores em Roma notam que o ataque pessoal de Trump toca uma ferida sensível: Leão XIV tem sido um crítico vocal das operações militares americanas e israelitas no Irão, e o presidente responde com desqualificações que misturam fé, nacionalidade e geopolítica.

O vice-presidente J.D. Vance, convertido ao catolicismo em 2019, saiu em defesa do chefe da Casa Branca. Em entrevista à Fox News, pediu que o Vaticano "se atenha às questões morais" e deixe a política externa para Washington. Descreveu a imagem polémica como uma piada, mas a sua intervenção foi lida como um endurecimento da posição da administração, que não pretende recuar. A tensão revela uma fratura invulgar: a mesma base evangélica e católica que apoiou Trump agora se divide entre a lealdade política e o respeito pela autoridade papal.

Para além do choque imediato, o confronto projeta-se sobre as comunidades católicas de todo o mundo. Em países de tradição católica como o Brasil, Portugal e Angola, a posição do Papa contra a guerra no Irão e a réplica de Trump alimentam um debate sobre os limites da influência religiosa na política internacional. Mais do que um episódio de retórica, o braço-de-ferro testa a coesão do eleitorado católico nos EUA e a credibilidade de uma diplomacia que parece trocar pontes por insultos.

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