Entrar
Edição das 10:00 CETquarta-feira, 10 de junho de 2026
287 veículos · 16 idiomas17 briefing hoje
terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 06:00 CET

Escândalos sexuais derrubam dois congressistas e embaralham corrida eleitoral na Califórnia

Eric Swalwell e Tony Gonzales anunciam saída do Congresso num mesmo dia. As acusações de assédio atingem o favorito democrata ao governo da Califórnia e abrem crise de sucessão.

Sociedade21 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 09:57

O congressista democrata Eric Swalwell anunciou na segunda-feira a renúncia ao seu assento na Câmara dos Representantes, cedendo à pressão bipartidária após múltiplas acusações de assédio e agressão sexual. Horas depois, o republicano Tony Gonzales, do Texas, comunicou que também deixará o Congresso, pressionado por um caso de relação imprópria com uma colaboradora que se suicidou. As duas demissões, quase simultâneas, abalam a já frágil maioria republicana na Câmara e reconfiguram o xadrez político na corrida pelo governo da Califórnia, onde Swalwell despontava como favorito.

Swalwell, de 45 anos, suspendeu no domingo a campanha para governador, um dia depois de o San Francisco Chronicle revelar o depoimento de uma ex-funcionária que o acusa de agressão sexual em Nova Iorque, em 2024. Outras três mulheres vieram a público com relatos que vão de mensagens explícitas a comportamentos predatórios. O congressista nega as alegações mais graves, mas admitiu “erros de julgamento” e pediu desculpas à família e aos eleitores. A procuradoria de Manhattan abriu investigação, e o Comité de Ética da Câmara iniciou um inquérito interno. A esposa de Swalwell, Brittany Watts, diretora de vendas do Ritz-Carlton, manteve-se em silêncio público.

A saída de Swalwell mergulha a disputa pelo governo californiano no caos. Até há poucos dias, o deputado liderava as sondagens entre os democratas, com financiamento robusto de grandes doadores. Agora, figuras como a ex-congressista Katie Porter e o bilionário Tom Steyer ganham espaço, mas o partido teme um cenário de fragmentação que, no sistema de primárias abertas da Califórnia, pode excluir os democratas da eleição geral de novembro. “Seria um erro histórico se os democratas não coordenarem estratégia”, avalia a imprensa local. A comentadora Sunny Hostin, do programa The View, sugeriu que a vice-presidente Kamala Harris pondere entrar na corrida estadual, considerando-a mais adequada ao perfil de governadora do que à presidência.

A crise de Swalwell expôs fissuras na elite democrata. O senador Ruben Gallego, amigo próximo, apressou-se a condenar o colega e a apoiar as vítimas, enquanto uma fotografia antiga dos dois sem camisa numa viagem oficial ressurgiu nas redes sociais, usada por críticos para associar Gallego ao escândalo. O marido de uma das acusadoras, a influenciadora Ally Sammarco, advertiu publicamente Swalwell contra tentativas de desacreditar a sua versão. Do lado republicano, a renúncia de Gonzales, que confessou um caso com uma assessora e já desistira da reeleição, reforça a imagem de um Congresso sob escrutínio ético sem precedentes.

Para observadores em Lisboa e Brasília, o duplo abalo recorda o efeito de escândalos sexuais sobre lideranças políticas em democracias maduras, mas também a rapidez com que as estruturas partidárias podem isolar figuras em queda. Em Luanda e Maputo, onde os mecanismos de responsabilização são menos céleres, o episódio serve de contraste: a demissão de dois congressistas em 24 horas mostra que, nos Estados Unidos, o risco reputacional e eleitoral continua a funcionar como poderoso travão. A maioria republicana na Câmara, já reduzida a um punhado de assentos, deverá enfrentar eleições especiais nos dois distritos, num ano em que a estabilidade legislativa se tornou artigo raro.

Esta notícia apareceu em

21 veículos · 3 idiomas · janela de 24 horas

Forbes
France 24
Mint
Australian Broadcasting Corporation (ABC)
Le Temps
BBC News
Los Angeles Times
NBC News