Ruby Rose acusa Katy Perry de agressão sexual; cantora nega 'mentiras perigosas'
Atriz australiana alega que incidente ocorreu há 20 anos numa discoteca. Perry classifica acusações como 'falsas e irresponsáveis', enquanto o caso reaviva o debate sobre assédio no pós-#MeToo.

A mais grave acusação pública enfrentada por Katy Perry emergiu de forma inesperada, a partir de uma troca de gracejos nas redes sociais sobre o festival Coachella. A atriz australiana Ruby Rose, conhecida por 'Orange Is the New Black', afirmou na plataforma Threads que a cantora norte-americana a agrediu sexualmente há duas décadas, numa discoteca na Austrália. Perry reagiu com uma negação categórica, classificando as declarações como «mentiras perigosas e irresponsáveis», numa controvérsia que ganhou projeção global e mobilizou a atenção de meios de comunicação na América do Norte, na Europa e na Oceânia.
O estopim foi um comentário aparentemente banal. Durante o Coachella, Perry publicou uma fotografia ao lado do antigo primeiro-ministro canadiano Justin Trudeau, troçando do portátil usado por Justin Bieber no palco. A imagem do casal – com Trudeau, de boné invertido, descrito na imprensa australiana como um «Trudoolie», neologismo que satiriza a crise de meia-idade do ex-líder – levou Rose a reagir com indignação. «A Katy Perry agrediu-me sexualmente no Spice Market, em Melbourne. Quem se importa com o que ela pensa?», escreveu. A atriz forneceu depois detalhes gráficos, afirmando que vomitou sobre Perry após o alegado incidente e que só manteve silêncio porque a cantora a ajudou, mais tarde, a obter um visto para os Estados Unidos.
A resposta da equipa de Perry foi imediata e contundente. Em comunicado reproduzido por vários órgãos de comunicação social, um porta-voz afirmou que as alegações «não são apenas categoricamente falsas, são mentiras perigosas e irresponsáveis», acrescentando que Rose tem um historial de fazer acusações graves nas redes sociais. A divergência geográfica sobre o local do suposto ataque merece nota: enquanto a imprensa australiana e norte-americana situam o incidente em Melbourne, a Radio-Canada, citando fontes próximas do caso, indica uma discoteca em Sydney, o que adensa a nebulosa factual em torno do episódio.
Na perspetiva de Brasília, o caso ecoa num Brasil ainda marcado por debates sobre a credibilidade de vítimas de assédio e o poder das celebridades para silenciar denúncias. Observadores em Lisboa notam que a justaposição entre a ligeireza do Coachella e a seriedade das acusações reflete a volatilidade das redes sociais, onde a cultura do entretenimento se cruza com graves questões de justiça. Nos países africanos de língua portuguesa, onde a presença digital destas estrelas é omnipresente, o episódio reacende dúvidas sobre os limites da responsabilização transnacional. Independentemente de eventuais ações judiciais, o veredito da opinião pública já começou a ser lavrado nos fóruns digitais, numa dinâmica que pode influenciar contratos, patrocínios e o futuro da digressão mundial de Perry.
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