Trabalho infantil atinge 138 milhões e motiva ações de Marrocos à Nigéria
No Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, a ONU alerta que 138 milhões de crianças continuam privadas de educação e segurança; de Marrocos à Nigéria, campanhas oficiais contrastam com a realidade do setor informal.

A comunidade internacional assinalou na sexta-feira o Dia Mundial contra o Trabalho Infantil sob o lema “Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil: Jogo Limpo para as Crianças, Trabalho Digno para os Adultos”. As Nações Unidas revelaram que quase 138 milhões de crianças em todo o mundo ainda estão envolvidas em trabalho infantil, das quais 54 milhões em atividades perigosas que ameaçam a sua saúde e desenvolvimento. A data, criada para mobilizar governos e sociedades, ganha este ano contornos de urgência renovada, face à estagnação dos progressos em várias regiões.
No continente africano, multiplicaram-se as iniciativas. Em Marrocos, o Observatório Nacional dos Direitos da Criança lançou uma campanha nacional sob o alto patrocínio da princesa Lalla Meryem, ecoando as orientações do rei Mohammed VI. Na Nigéria, a primeira-dama Oluremi Tinubu apelou à sociedade para erguer um “cartão vermelho” contra o trabalho infantil e reinvestir no bem-estar das crianças. No Gana, a Comissão de Direitos Humanos e Justiça Administrativa (CHRAJ) exigiu um compromisso renovado para eliminar esta prática, enquanto a polícia da região de Ahafo advertiu os residentes, com destaque para as comunidades produtoras de cacau, de que os infratores enfrentarão “todo o rigor da lei”. Já a Argélia, num discurso oficial, contabilizou apenas dois casos de trabalho infantil em mais de 72 mil empresas inspecionadas, um número que contrasta fortemente com a perceção de que a economia informal esconde uma realidade bem mais sombria.
A Europa e o Médio Oriente também trouxeram as suas perspetivas. Em Itália, a Save the Children estimou que quase um menor em cada 15, entre os 7 e os 15 anos, está envolvido em formas de exploração laboral, muitas vezes invisíveis. A organização denunciou que o trabalho infantil nega direitos fundamentais e compromete o desenvolvimento harmonioso. Do Irão, uma reflexão cultural alertou para as formas ocultas de exploração, em que as crianças são instrumentalizadas para cumprir expectativas adultas, perdendo o direito à própria infância. Nos países lusófonos, como Brasil, Angola e Portugal, a data foi igualmente assinalada por organizações da sociedade civil, que sublinham a persistência do trabalho infantil, sobretudo na agricultura, no trabalho doméstico e na economia informal.
Apesar dos avanços legislativos e das campanhas de sensibilização, analistas apontam que a erradicação do trabalho infantil exige atacar as causas profundas: pobreza, falta de acesso à educação de qualidade e debilidade dos sistemas de inspeção laboral. O apelo por “trabalho digno para os adultos” contido no tema deste ano sublinha que a proteção da infância está indissociavelmente ligada à criação de emprego decente para as famílias. Num mundo ainda a recuperar dos efeitos económicos da pandemia, o risco de retrocessos é real, alertam observadores em Brasília e Lisboa, que defendem uma cooperação internacional reforçada e políticas públicas integradas para garantir que cada criança possa estar onde pertence: na escola, em segurança, e não no mercado de trabalho.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
In the Arab Levant-Maghreb bloc, the narrative is twofold: on one hand, the Moroccan royal campaign is presented as a solemn commitment against child labour; on the other, an Algerian analysis denounces the gap between official rhetoric and ground reality, accusing authorities of smoke and mirrors. A tension emerges between celebration of institutional initiatives and skepticism about their effectiveness.
In sub-Saharan Africa, voices are unanimous in condemning child labour as a scourge that deprives millions of children of education and safety. The Nigerian first lady raises a red card, the police in Ghana threatens legal action, and the human rights commission calls for renewed global commitment. The tone is one of urgency and alarm, with direct appeals for immediate action.
In continental Europe, the focus is on the domestic reality: in Italy, it is estimated that nearly one in 15 minors is involved in child labour, often underreported. The emphasis is on the violation of fundamental rights and the lasting impact on children's growth and health. The tone is critical but analytical, urging not to underestimate the phenomenon even in developed countries.
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