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Starmer rejeita guerra no Irão e desafia Trump enquanto Carlos III tenta apaziguar crise

O primeiro-ministro britânico recusa ceder à pressão de Washington para participar no conflito contra o Irão, mesmo sob ameaça de revisão do acordo comercial, numa altura em que a visita de Estado do rei Carlos III aos EUA é vista como trunfo diplomático mas também como risco de embaraço.

Geopolítica6 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:44

A recusa firme do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, em envolver o Reino Unido na ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão abriu uma das crises mais agudas na relação transatlântica. Perante o Parlamento, Starmer declarou que não mudará de posição: «Não vou ceder, não está no nosso interesse nacional juntar-nos a esta guerra e não o faremos.» A resposta surgiu depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter lamentado que o Reino Unido «não estava lá» quando Washington pediu ajuda, e de ter sugerido que o acordo tarifário bilateral «pode sempre ser alterado». O conflito começou no final de fevereiro e, desde então, a recusa britânica tem sido um ponto de fricção constante.

Neste ambiente de tensão, a Casa de Windsor prepara aquela que será uma visita de Estado de grande simbolismo: o rei Carlos III e a rainha Camilla deslocam-se aos Estados Unidos de 27 a 30 de abril, com passagens por Washington, Nova Iorque e Virgínia, no âmbito do 250.º aniversário da independência americana. O Palácio de Buckingham anunciou um jantar de Estado e um encontro privado com Trump, que descreveu o monarca como «um grande cavalheiro e amigo». O governo britânico espera que a «força suave» da coroa ajude a renovar os laços entre os dois países, mas em Westminster cresce o desconforto. O líder liberal-democrata, Ed Davey, questionou se era aceitável enviar o rei «para se encontrar com um homem que trata o nosso país com desprezo», ecoando a irritação de muitos deputados.

A visita real não está isenta de riscos. Em Londres e em Roma, observa-se com apreensão a imprevisibilidade de Trump. O receio de que o presidente arraste o soberano para um confronto com a imprensa no Salão Oval ou o coloque em situações mediáticas incompatíveis com o estilo reservado do rei — que nunca concede entrevistas — é real, segundo fontes palacianas citadas pela imprensa italiana. Apesar das garantias de Trump de que a tensão com Starmer «não afetará em nada» a estadia do rei, a Casa Real sabe que um gesto descontrolado pode transformar a viagem num incidente diplomático.

Do lado europeu, a crise acelera o reposicionamento estratégico do Reino Unido. O mesmo Starmer que outrora evitava pronunciar a palavra «Europa» começa a olhar para o continente como alternativa de segurança, num momento em que a NATO se vê dividida pela guerra no Irão. Observadores em Lisboa notam que o afastamento entre os dois velhos aliados atlânticos fragiliza a coesão da própria Aliança, com potenciais repercussões para países como Portugal que dependem de um vínculo sólido entre as duas margens do Atlântico. Para já, a diplomacia da chávena de chá poderá aliviar a crispação, mas é duvidoso que baste para curar uma fratura que já não é só comercial, mas profundamente geopolítica.

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Australian Broadcasting Corporation (ABC)
CNN Arabic
La Repubblica
The New York Times
BBC News
The Independent