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EUA encerram licença temporária e sanções ao petróleo russo voltam a vigorar

O fim da isenção, que expirou a 11 de abril, afeta compradores como a Índia. A medida de alívio foi tomada para estabilizar mercados após o bloqueio do Estreito de Ormuz.

Economia7 veículos2 idiomas2 min de leituraAtualizado 08:44

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou que a administração Trump não renovará as licenças gerais que permitiam transações limitadas com petróleo russo e iraniano, encerrando um alívio sancionatório que vigorou por um mês. A licença, emitida pelo OFAC em meados de março para dar vazão a cargas já embarcadas antes de 11 de março, expirou em 11 de abril, e as sanções retomaram automaticamente. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmara na véspera que Moscovo não dispunha de informação sobre qualquer prorrogação.

A suspensão temporária foi adotada num contexto de forte turbulência nos mercados energéticos, agravada pela guerra no Irão e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz. Bessent descrevera a licença como uma medida “direcionada e de curto prazo”, destinada exclusivamente a escoar petróleo que já navegava. Em Washington, a pressão política para o não prolongamento foi liderada por senadores democratas — Chuck Schumer, Jeanne Shaheen e Elizabeth Warren — que alertaram que a isenção permitiu à Rússia e aos seus intermediários arrecadar mais de 4 mil milhões de dólares num único mês.

Na perspetiva de Nova Deli, a Índia emerge como um dos compradores mais afetados, dada a sua exposição ao crude russo com desconto, numa altura em que os preços da matéria-prima dispararam desde o início do conflito iraniano. Observadores em Moscovo minimizam o impacto imediato, mas reconhecem que o regresso das sanções aperta o cerco às receitas energéticas russas. Do lado europeu, analistas em Lisboa notam que o endurecimento pode refletir-se nos preços globais do barril, com potenciais efeitos inflacionistas para economias importadoras como Portugal.

Para os países lusófonos produtores, como o Brasil e Angola, o cenário de restrição da oferta russa poderia, em tese, abrir espaço no mercado. Contudo, a elevada volatilidade desaconselha otimismo: os movimentos de preços continuam reféns da evolução dos conflitos e da política de sanções. O episódio sublinha a fragilidade dos alívios temporários em contextos de tensão geopolítica prolongada, deixando em aberto a questão sobre a eficácia duradoura deste tipo de instrumentos.

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