Entrar
Edição das 06:00 CETquinta-feira, 11 de junho de 2026
287 veículos · 16 idiomas0 briefing hoje
terça-feira, 9 de junho de 2026 · Edição das 06:00 CET

EUA prolongam alívio nas sanções ao petróleo russo, apesar de promessa contrária do Tesouro

Licença de um mês permite venda de crude carregado até 17 de abril, num recuo face à declaração do secretário Scott Bessent de que não haveria extensão, num contexto de guerra com o Irão.

Geopolítica12 veículos5 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:19

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos emitiu uma nova licença geral que prorroga por trinta dias a autorização para transações com petróleo e derivados russos carregados em navios até 17 de abril. A medida, válida até 16 de maio, substitui o documento de 19 de março que expirara a 11 de abril e abrange a venda, o transporte e a descarga do crude, incluindo operações que até agora estavam sob sanções. A decisão surpreendeu porque, apenas dois dias antes, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmara de forma categórica que Washington não renovaria tais isenções, tanto para o petróleo russo como para o iraniano.

O alívio temporário surge na ressaca do conflito com o Irão. Na sexta-feira, os preços do petróleo caíram cerca de 9%, depois de Teerão anunciar que o Estreito de Ormuz permaneceria aberto a toda a navegação comercial durante o cessar-fogo. O barril de Brent recuou 9,01 dólares, fixando-se nos 90,38 dólares, após ter tocado um mínimo intradiário de 86,09 dólares. Ao estender a licença, a administração norte-americana procura mitigar a escassez provocada pela guerra com o Irão e evitar um choque inflacionista global, ainda que o gesto contrarie a retórica oficial.

A autorização é ampla e contempla também as embarcações da chamada “frota fantasma” russa, previamente sancionadas. No entanto, mantêm-se as restrições a operações que envolvam o Irão, a Coreia do Norte, Cuba e as regiões ocupadas da Ucrânia, incluindo a Crimeia. A licença, emitida pelo OFAC, proíbe expressamente qualquer transação ligada a mercadorias de origem iraniana, desenhando uma fronteira delicada entre aliviar a pressão sobre o fornecimento russo e não enfraquecer a frente de sanções contra Teerão.

Na perspetiva de Brasília, a estabilização dos preços alivia o temor de um repique inflacionário que poderia afetar os combustíveis no mercado interno, ainda que produtores do pré-sal possam beneficiar da volatilidade. Observadores em Lisboa notam que a flexibilização temporária do crude russo poderá dar algum fôlego às refinarias europeias que ainda processam determinados grados, mesmo sob o regime autónomo de sanções da União Europeia. Para Angola, segundo maior produtor africano, a travagem da escalada de preços é bem-vinda, mas a crise recorda a vulnerabilidade dos exportadores lusófonos perante turbulências geopolíticas fora do seu controlo.

Olhando em frente, a extensão é um remendo provisório. Com o prazo de 16 de maio como horizonte, regressam as dúvidas sobre a durabilidade do quadro sancionatório. A negativa expressa de Bessent sugere que novas prorrogações serão politicamente custosas, sobretudo se a tensão no Médio Oriente persistir. Por ora, os mercados respiram, mas a contradição entre o discurso diplomático e a pragmática energética mantém a incerteza como nota dominante.

Esta notícia apareceu em

12 veículos · 5 idiomas · janela de 24 horas

El Sol de México
Lenta.ru
Vedomosti
Sky News Arabia
Interfax
Reforma
Le Monde
An-Nahar