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Snap corta mil funcionários e acelera demissões justificadas por inteligência artificial

Empresa dona do Snapchat alega que avanços em IA permitem equipas mais reduzidas, repetindo estratégia de outras tecnológicas. Analistas lusófonos veem risco de precarização do trabalho.

Economia5 veículos2 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:44

O Snap, empresa-mãe da rede social Snapchat, anunciou o despedimento de cerca de 1.000 trabalhadores — 16% da sua força de trabalho global —, citando os «rápidos avanços» da inteligência artificial como motor da reestruturação. Num memorando interno, o diretor-executivo Evan Spiegel afirmou que pequenas «squads» apoiadas por IA já conseguem «reduzir o trabalho repetitivo, aumentar a velocidade e servir melhor a comunidade». A decisão encerra ainda mais de 300 vagas em aberto e insere-se num esforço para poupar 500 milhões de dólares anuais.

O caso da Snap não é isolado. Empresas como a Block e a Atlassian já tinham apresentado justificações semelhantes para cortes profundos, desenhando um «manual de despedimentos por IA» que preconiza agir cedo, cortar fundo e operar com menos pessoas e mais algoritmos. A ideia de «equipas minúsculas» potenciadas por ferramentas de IA ganhou tração entre líderes tecnológicos, que as descrevem como mais produtivas e capazes de executar projetos com hierarquias mais planas. Na perspetiva de investidores, a promessa de reestruturação agradou: as ações da Snap subiram quase 9% na sessão seguinte ao anúncio.

Contudo, a saúde financeira da empresa há muito que suscitava alarme. As ações acumulam uma queda superior a 25% este ano e mais de 90% face ao máximo histórico, refletindo a dificuldade em competir por receitas publicitárias com gigantes como Meta e Google. Ainda que a Snap lidere entre os adolescentes na troca de mensagens, o recuo na publicidade digital penalizou duramente o negócio. Analistas norte-americanos veem, por isso, as justificações ligadas à IA como uma tentativa de apresentar uma narrativa modernizadora para medidas que, na essência, são respostas à pressão financeira.

Observadores em Lisboa notam que o discurso da Snap pode influenciar startups portuguesas que já operam com equipas enxutas. «Há o risco de se normalizar a ideia de que a IA justifica cortes, mesmo quando a tecnologia ainda não substitui integralmente funções humanas», avalia um economista do trabalho. No Brasil, onde empresas de tecnologia também enfrentam exigências de rentabilidade, o movimento é acompanhado com cautela: receia-se que a adoção do «modelo Snap» possa acelerar a precarização de vínculos sem a correspondente criação de postos qualificados. Na África lusófona, o impacto é ainda indireto, mas as multinacionais ali instaladas tendem a replicar estratégias globais de redução de custos.

Apesar do entusiasmo com a produtividade das equipas reduzidas, há sinais de alerta. Especialistas salientam que a IA atual não é capaz de substituir a maioria dos empregos, e que a aposta em estruturas demasiado magras pode enfraquecer os canais de talento, aumentar enviesamentos algorítmicos e corroer o envolvimento dos trabalhadores. A longo prazo, a eficiência conquistada poderá revelar-se frágil se não for acompanhada de investimento em formação e em mecanismos de supervisão humana. A trajetória da Snap e das suas congéneres servirá como teste à sustentabilidade de um modelo que promete mais com menos — e que começa a ecoar em todos os continentes.

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Forbes
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Los Angeles Times
Business Insider
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