Sheinbaum garante Mundial sem repressão e denuncia ‘provocações’ antes da abertura
Presidenta do México assegura que protestos não serão reprimidos durante a inauguração do Mundial 2026 e acusa grupos de tentarem forçar uma imagem negativa do país.

A presidenta do México, Claudia Sheinbaum, comprometeu-se esta segunda-feira a assegurar que a inauguração do Mundial de Futebol de 2026, marcada para 11 de junho, decorrerá num ambiente de tranquilidade e sem recurso à força pública, apesar das mobilizações anunciadas pela Coordenadora Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) e outros setores. Durante a conferência matinal no Palácio Nacional, Sheinbaum afirmou que “há grupos que nos querem provocar, e não necessariamente são professores”, acusando esses setores de procurarem precisamente uma resposta repressiva do governo para que “a nota internacional seja que o México reprime os professores”. A garantia de que “vai haver uma boa inauguração e também está garantido que não haverá repressão, tudo ao mesmo tempo” foi reiterada em todas as intervenções.
Na capital, a chefe de governo Clara Brugada reforçou o apelo à contenção, convocando os manifestantes a “fazê-lo de maneira pacífica” e a ponderar os direitos do conjunto dos cidadãos. Brugada rejeitou qualquer conduta que possa significar provocação ou que procure gerar violência e caos, sublinhando a importância de “refletirmos na afetação a terceiros”. Esta postura complementa a da presidência, que assegura que o diálogo e os mecanismos de resolução pacífica serão privilegiados, ainda que os protestos da CNTE pressionem por reivindicações laborais acumuladas.
A situação encontra eco noutras geografias lusófonas. Na perspetiva de Brasília, a memória dos massivos protestos de 2013/2014, que eclodiram precisamente na véspera do Mundial organizado pelo Brasil, paira como um alerta: a conjugação de megaeventos desportivos com insatisfação social pode resvalar para confrontos se a gestão política não for sensível aos direitos de manifestação. Observadores em Lisboa recordam como, durante o Euro 2004, a articulação entre forças de segurança e movimentos sociais permitiu protestos sem violência, ainda que em escala reduzida. Em países africanos de língua portuguesa, onde a receção de grandes eventos é menos frequente, o dilema entre a projeção internacional e a contenção de dissidências é agudo; analistas moçambicanos e angolanos notam que a acusação de “provocadores infiltrados” é um argumento recorrente em contextos de tensão pré-evento.
O desafio para Sheinbaum é, por isso, duplo: manter a imagem de um México estável e acolhedor para o certame da FIFA, sem ceder a tentações autoritárias que possam transformar a narrativa global num relato de repressão. A aposta na descompressão verbal e na recusa de “cair” na armadilha das provocações, como a própria presidenta sublinhou, será testada nos próximos dias. O desfecho moldará a credibilidade do país como anfitrião e, simultaneamente, a perceção internacional sobre o respeito pelos direitos civis no México.
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