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Sapateira Allbirds troca ténis por servidores e ações disparam

A Allbirds vendeu a sua marca de calçado ecológico por 39 milhões de dólares, passou a chamar-se NewBird AI e quer fornecer infraestrutura de computação para inteligência artificial. O mercado reagiu com euforia.

Economia9 veículos3 idiomas3 min de leituraAtualizado 08:53

A americana Allbirds, cujos ténis de lã minimalistas se tornaram um uniforme corporativo em Silicon Valley, anunciou o abandono do calçado para se transformar numa empresa de infraestrutura de inteligência artificial. A decisão fez as ações dispararem entre 460% e 700%, conforme diferentes medições da mesma sessão frenética [A1][A5][A6]. A companhia, que em 2021 chegara a valer cerca de quatro mil milhões de dólares mas depois viu as vendas caírem para metade, vendeu a marca e o negócio de vestuário ao grupo American Exchange Group por 39 milhões e angariou 50 milhões de investidores institucionais para se lançar no aluguer de unidades de processamento gráfico (GPU). Passará a chamar-se NewBird AI, num gesto de refundação total [A1][A4][A6].

A guinada foi recebida com ceticismo e troça nas redes sociais, onde o viral “PIVOT!” da série Friends se misturou com sonhos distópicos de sapatos que tentam atirar o dono de uma ponte [A3][A8]. Mas a operação é, acima de tudo, uma fuga para a frente de uma empresa que em novembro admitira estar à beira da insolvência [A4]. O movimento implica também o abandono dos princípios ambientais que deram identidade à marca: um documento entregue à SEC reconhece que a NewBird AI estará menos focada na conservação [A7]. Na imprensa russa, o Kommersant e a Forbes Rússia sublinharam a vertigem da valorização bolsista, ainda que com discrepâncias notáveis na capitalização de mercado atribuída à empresa — de 115 milhões a 21 mil milhões de dólares — o que ilustra a confusão gerada pelo anúncio [A1][A5].

Analistas nos Estados Unidos notam que a transição carece do essencial: capital adicional, conhecimento técnico, ativos físicos e relações com os grandes clientes de computação em nuvem [A4]. A Atlantic descreveu a operação como uma “escotilha de salvamento” para uma companhia sem nada a perder, depois de tentativas falhadas de diversificar para leggings e roupa interior de lã [A2]. Observadores em Lisboa e São Paulo encontram no episódio um eco da atual bolha da IA generativa, onde a mera associação do nome a esta tecnologia infla cotações, enquanto países lusófonos com ambições digitais — como Portugal com os seus polos de centros de dados ou o Brasil com o seu ecossistema de startups — podem ver exemplos de risco de sobreaquecimento especulativo.

A sátira publicada pela própria Atlantic, em que um par de sapatos se converte em “AIlbirds”, caricatura uma economia onde tudo parece pivotar para a IA, dos cereais de pequeno-almoço aos artigos de vestuário [A3]. Para a NewBird AI, o caminho será acidentado: os especialistas ouvidos pela Business Insider sugerem que a empresa poderá tentar adquirir uma operação já em funcionamento no setor, mas a escassez de capitais torna essa via incerta [A4]. O sucesso dependerá não apenas de captar mais dinheiro, mas de construir relacionamentos com os hiperscaladores que dominam o mercado. Entretanto, o episódio ficará como um retrato de um tempo em que a inteligência artificial tudo magnetiza, e em que até um fabricante de ténis pode sonhar converter-se em fornecedor de computação para os cérebros digitais do futuro.

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Forbes
Forbes Russia
Business Insider
The New York Times
Kommersant
Australian Financial Review (AFR)
CBS News
TechNews