Putin cobra explicações após economia russa contrair mais que o previsto
Presidente russo exigiu do governo e do banco central propostas urgentes para reanimar o crescimento, depois de o PIB cair 1,8% em janeiro e fevereiro, frustrando as projeções oficiais.

Vladimir Putin reuniu o núcleo económico do governo e a liderança do Banco da Rússia a 15 de abril para exigir explicações sobre o desempenho abaixo das expectativas da economia. Pela segunda vez num mês, o presidente manifestou publicamente insatisfação: o PIB contraiu 1,8% nos dois primeiros meses do ano, um recuo mais acentuado do que as projeções do próprio executivo e da autoridade monetária. Putin reconheceu a influência de fatores de calendário — janeiro teve menos dois dias úteis e fevereiro menos um face a 2025 —, mas advertiu que essas circunstâncias “estão longe de ser as únicas” a travar a atividade empresarial e o investimento.
O contraste entre o discurso oficial e os diagnósticos mais estruturais tornou-se evidente no mesmo dia. O Instituto de Previsão Económica da Academia de Ciências da Rússia estimou uma contração de 1,5% no primeiro trimestre e alertou para um “efeito dominó” no arrefecimento da economia, que já se propaga a um número crescente de empresas. O ministro do Desenvolvimento Económico, Maxim Reshetnikov, reforçou o tom de cautela ao afirmar que as reservas da economia russa “estão em grande parte esgotadas” e que o quadro macroeconómico é mais complexo do que nos últimos anos, agravado por alterações fiscais que exigem adaptação do tecido empresarial.
As intervenções de Putin e dos responsáveis económicos expuseram uma divergência de leituras: enquanto o Kremlin sublinhava fatores sazonais, os académicos e membros do governo apontavam para a exaustão de motores de crescimento. O presidente, contudo, não se limitou ao diagnóstico e pediu medidas concretas para estimular a atividade, incluindo instrumentos de apoio à estabilidade orçamental num contexto de volatilidade dos mercados externos.
A reação esperada passa pela política monetária. O conselho do Banco da Rússia deverá voltar a reduzir a taxa de juro diretora em 0,5 pontos percentuais a 24 de abril, para 14,5%, o oitavo corte consecutivo. Contudo, o Instituto de Previsão da Academia sustenta que a procura reprimida só dará um contributo relevante se a descida das taxas for mais célere. A conjugação de inflação em moderação e expectativas ainda elevadas mantém o banco central num equilíbrio delicado.
A pressa de Putin em obter respostas sinaliza a inquietação do poder perante uma economia que já dera mostras de resiliência ao choque das sanções, mas que agora vê as debilidades estruturais ganharem terreno. O desafio para o governo russo será orquestrar um estímulo que não desequilibre as contas públicas nem reacenda as pressões inflacionistas, num momento em que as margens de manobra são reconhecidamente mais estreitas.
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