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Rússia nomeia deputada acusada de deportar crianças ucranianas para chefiar direitos humanos

Yana Lantratova, sancionada por Kyiv, substitui Tatiana Moskalkova; prioridade declarada é apoiar veteranos da guerra na Ucrânia.

Legislação14 veículos2 idiomas3 min de leituraAtualizado 06:39

A Duma Estatal da Rússia elegeu esta quarta-feira a deputada Yana Lantratova como nova comissária para os direitos humanos, com 301 votos a favor, quatro contra e duas abstenções. Lantratova, do partido Rússia Justa, sucede a Tatiana Moskalkova, que ocupava o cargo desde 2016 e cujo segundo mandato de cinco anos expirou. A antiga provedora, general da polícia reformada, afirmou desejar regressar à câmara baixa do Parlamento, mas ainda sem decisão final. A mudança na liderança da instituição ocorre num momento em que a Rússia mantém a guerra na Ucrânia e o isolamento diplomático se acentua.

A nova ombudsman, de 37 anos, iniciou a carreira política na ala jovem do partido Rússia Unida, foi assistente do polémico deputado Vitali Milonov e mais tarde assessora na Administração Presidencial. Ganhou notoriedade ao promover rusgas contra alegados pedófilos, mas o seu percurso está marcado por intervenções controversas. Lantratova ajudou a retirar do currículo escolar russo o conto “O Prisioneiro do Cáucaso”, de Vladímir Makanin, por considerar que a obra feria a moral pública. Durante a invasão da Ucrânia, deslocou-se a territórios ocupados e, segundo investigações ucranianas, participou ativamente na transferência forçada de crianças de Kherson para a Rússia — facto que levou Kiev a impor-lhe sanções.

A sua nomeação foi apoiada pelos serviços da Administração Presidencial, em particular por Andrei Iarin, e promovida pelo cineasta Nikita Mikhalkov, figura próxima do Kremlin. De acordo com analistas ocidentais, a escolha de uma figura diretamente implicada em alegados crimes de guerra complica ainda mais as já frágeis negociações para trocas de prisioneiros entre Moscovo e Kiev. A provedoria russa perde assim qualquer aparência de independência, assumindo abertamente o alinhamento com a narrativa oficial do conflito.

Na primeira declaração após a eleição, Lantratova afirmou que a “prioridade incondicional” do seu mandato será o apoio aos participantes da “operação militar especial” e às suas famílias, prometendo ainda atenção a questões habitacionais, defesa de direitos laborais e reforço da cooperação com provedores regionais. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, adiantou que um encontro com Vladimir Putin ocorrerá assim que a agenda presidencial o permitir.

Na perspetiva de Brasília e de outras capitais lusófonas, a nomeação ilustra o esvaziamento do discurso de direitos humanos no regime de Putin, transformando a instituição do ombudsman em instrumento de propaganda de guerra. A instrumentalização do cargo contrasta com as experiências de provedorias em democracias como Portugal e o Brasil, onde a independência face ao poder executivo é condição essencial de legitimidade. A evolução do caso será observada com atenção pelos círculos diplomáticos, pois a nova titular dificilmente terá credibilidade para intervir em crises humanitárias que o próprio Estado russo provoca.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Continental European press highlights the controversial background of Yana Lantratova, citing her role in removing a school book and accusations of forced child transfers from occupied Ukraine. The tone is critical, framing the appointment as a setback for human rights and a potential complication for future prisoner exchanges with Ukraine. The vote in parliament is presented as procedural theater with little democratic legitimacy.

Stampa russa e CSI/ statopragmatismopaternalismo

Russian state-aligned media report Lantratova's election as a routine procedural success, emphasizing the large majority of votes and her stated priorities: support for military participants and vulnerable families. The coverage focuses on the orderly transition from outgoing ombudsman Moskalkova and the expected meeting with President Putin. The narrative is neutral in tone but implicitly endorses the appointment as a continuation of responsible governance.

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