Ex-braço direito de Zelensky é preso por lavagem de dinheiro e abala confiança na Ucrânia
Andriy Yermak, ex-conselheiro de Zelensky, ficará 60 dias em prisão preventiva; fiança de 2,7 milhões de euros. Escândalo de corrupção põe em risco ambições europeias de Kiev.

O Tribunal Superior Anticorrupção da Ucrânia decretou na quinta-feira a prisão preventiva de Andriy Yermak, antigo chefe de gabinete e principal conselheiro do presidente Volodymyr Zelensky, acusado de integrar uma vasta rede de branqueamento de capitais e corrupção. O juiz impôs uma fiança de 140 milhões de grívnias (cerca de 2,7 milhões de euros), mas Yermak, de 54 anos, declarou à imprensa que não tem capacidade para pagar aquele montante. Ficará num estabelecimento prisional de Kiev por um período de até 60 dias, enquanto decorre a investigação.
Yermak ocupou o cargo a partir de fevereiro de 2020 e tornou-se um dos homens mais influentes do país, até se demitir em novembro de 2025, pouco depois de as autoridades terem revistado a sua residência no âmbito de um inquérito sobre corrupção no setor energético. A acusação atual centra‑se num esquema que terá branqueado mais de 460 milhões de grívnias (cerca de 8,9 milhões de euros) entre 2021 e 2025, através da construção de um condomínio de luxo a sul de Kiev, com recurso a empresas de fachada. O próprio Yermak rejeita todas as suspeitas e anunciou que vai recorrer.
A imprensa europeia vê na detenção um teste decisivo à luta anticorrupção exigida pela União Europeia para as negociações de adesão. Observadores em Lisboa sublinham que, embora o caso revele independência das instituições, pode desestabilizar a liderança de Zelensky em plena guerra. Já os relatos da Ásia, como os do South China Morning Post, notam que a operação anticorrupção aprofunda as tensões políticas internas e tem enfurecido uma população exausta pelo conflito, ao mesmo tempo que a Ucrânia procura consolidar a confiança dos aliados ocidentais.
Em Brasília, diplomatas acompanham o processo com atenção, encontrando ecos das megainvestigações que abalaram o Brasil e sublinhando os riscos de uma luta anticorrupção que atinge o coração do poder. A prisão de Yermak é a mais profunda incursão judicial no círculo íntimo do presidente desde a invasão russa e pode reforçar a imagem reformista de Kiev — ou expor divisões perigosas num executivo que depende da coesão para fazer face à guerra.
O desfecho do caso será escrutinado também no espaço lusófono africano, onde nações como Angola e Moçambique procuram consolidar os seus próprios mecanismos de responsabilização. A justiça ucraniana terá de mostrar que é capaz de punir a corrupção de alto nível sem sacrificar a estabilidade política, num equilíbrio que condiciona não apenas o futuro europeu do país, mas a perceção internacional sobre a sua maturidade institucional.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
Continental European media report the arrest of Andriy Yermak, Zelensky’s former chief of staff, in a factual manner while highlighting the political repercussions for the presidential circle amid wartime. Judicial details – 60 days of pre-trial detention and a bail of €2.7 million – are noted, alongside Yermak’s denial of the charges, presented with restraint. The coverage frames the affair as a symptom of internal strains in Kyiv, conveying skepticism toward the leadership’s inner circle without overt condemnation.
Chinese media frame Yermak’s arrest as part of Ukraine’s anti-corruption drive, downplaying any direct link to Zelensky. The coverage is sober and matter-of-fact, focusing on procedural aspects and the backdrop of wartime political tensions. The tone is detached and bureaucratic, neither sympathizing with nor condemning the former top aide.
Esta notícia apareceu em
9 veículos · 5 idiomas · janela de 24 horas