Rússia lança mais de 700 drones e mísseis contra a Ucrânia e deixa pelo menos 17 mortos
Ofensiva noturna atinge Kiev, Odessa e Dnipro, com maior barragem em meses, matando civis e ferindo mais de cem, após trégua de Páscoa.

Na madrugada de quinta-feira, a Rússia desencadeou a mais letal ofensiva aérea contra a Ucrânia em meses, lançando mais de 700 drones e mísseis contra alvos civis em Kiev, Odessa, Dnipro e outras cidades. Autoridades ucranianas confirmaram pelo menos 17 mortos e mais de cem feridos, embora alguns balanços regionais apontem para números superiores, com 19 vítimas fatais em certas contagens. O ataque, que se estendeu por horas, ocorreu poucos dias após a frágil trégua de Páscoa ortodoxa, denunciada por ambos os lados como violada centenas de vezes. Moradores relataram explosões ininterruptas e cenários de devastação em áreas residenciais. Em Odessa, uma testemunha descreveu que “toda a noite fomos bombardeados, não pararam nem meia hora”. A dimensão do bombardeio levou analistas a considerá-lo o mais intenso de 2026, num contexto de impasse no campo de batalha terrestre.
As defesas aéreas ucranianas interceptaram parte dos projéteis, mas mísseis balísticos e de cruzeiro atingiram infraestruturas críticas. O Ministério da Defesa russo afirmou que os alvos foram instalações militares-industriais e energéticas, justificativa recorrente nos ataques a cidades ucranianas. Em paralelo, Moscou reportou que drones ucranianos atingiram a região de Krasnodar, no sul da Rússia, matando duas crianças de 5 e 14 anos – um lembrete de que a guerra aérea não se limita ao território ucraniano. A troca de acusações evidencia a escalada assimétrica do conflito: enquanto a Rússia emprega volumes massivos de munições de precisão duvidosa contra centros urbanos, a Ucrânia responde com incursões pontuais em solo russo, buscando demonstrar capacidade de retaliação.
A reação internacional concentrou-se na promessa de novos fornecimentos militares a Kiev. O Reino Unido anunciou o envio de 120 mil drones ao longo do ano, e líderes europeus, como a alta representante da UE, Kaja Kallas, reiteraram que “a Rússia quer mais guerra, por isso a nossa resposta é mais ajuda à Ucrânia”. O presidente Volodymyr Zelenskyy, em visita a capitais europeias, definiu como prioridade máxima a aquisição de sistemas de defesa aérea adicionais, diante da exaustão dos arsenais existentes. Para observadores em Lisboa e Brasília, o prolongamento do conflito acentua os temores de uma guerra de atrito com custos humanitários crescentes, embora a distância geográfica atenue o impacto direto nas sociedades lusófonas.
A escalada coincide com um momento de impasse diplomático, em que as negociações de cessar-fogo permanecem paralisadas. O ataque recordista de drones e mísseis, poucos dias depois da tentativa de trégua religiosa, sinaliza que a Rússia aposta na exaustão da defesa ucraniana, enquanto o Ocidente mantém o suporte financeiro e logístico. A próxima etapa dependerá da capacidade de Kiev em reconstituir a sua malha de proteção aérea – tarefa que, como mostra a violência desta noite, se tornou a condição de sobrevivência para milhões de civis.
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