Rory McIlroy conquista segundo Masters consecutivo e junta-se ao panteão de Nicklaus, Faldo e Woods
Num desfecho dramático em Augusta, o norte-irlandês superou Scottie Scheffler por uma pancada, numa edição marcada por críticas à transmissão televisiva e por um renovado apetite por mais títulos.

Rory McIlroy inscreveu o nome na história do golfe ao vencer o Masters pela segunda vez consecutiva, feito que só Jack Nicklaus, Nick Faldo e Tiger Woods tinham alcançado. Com um total de 12 pancadas abaixo do par, superou o número um mundial Scottie Scheffler por um tiro, numa tarde em que chegou a estar a duas pancadas de desvantagem. Dois birdies em Amen Corner (buracos 12 e 13) revelaram-se decisivos para o triunfo, selado com um bogey no 18 que não beliscou a vitória. A bolsa do torneio atingiu 22,5 milhões de dólares, cabendo ao campeão 4,5 milhões.
A imprensa internacional sublinhou contornos distintos do evento. Nos Estados Unidos, a CBS foi duramente criticada por interromper a transmissão com anúncios publicitários, impedindo os espectadores de acompanhar jogadas cruciais. Ao mesmo tempo, um setor do público questionou se McIlroy teria beneficiado de uma preparação à parte, treinando num simulador enquanto os rivais viajavam. Do lado europeu, o diário suíço NZZ destacou que o triunfo surgiu apesar de vários erros do irlandês, aproveitando para decretar o fracasso da liga paralela LIV. Já o francês Le Temps deu ênfase à perseverança do campeão, que confessou que esperou “17 anos por um casaco verde e agora tem dois seguidos”. No Reino Unido, o tom centrou-se na emoção familiar e na fome competitiva de um atleta que, depois de uma década de jejum, já conta seis majors.
O desaire dos rivais também marcou a narrativa. Justin Rose liderou a dada altura, mas soçobrou nos buracos 11 e 12 e perdeu o comando. Scottie Scheffler assinou um fim de semana sem bogies, algo que não acontecia desde 1942, mas o esforço foi insuficiente para anular a vantagem do líder. McIlroy identificou os dois birdies consecutivos como o momento-chave e afirmou que esta vitória não é um destino, mas parte de uma jornada. A frase ecoou como lição para quem persegue marcos de carreira: “No ano passado achei que o Grand Slam era a meta; agora sei que não é”.
Para o futuro, o feito recoloca McIlroy na discussão dos maiores de todos os tempos, ultrapassando nomes como Phil Mickelson, e abre a possibilidade inédita de um tricampeonato em 2027. Observadores em Lisboa realçam o reforço do domínio europeu no golfe; em Brasília, o desfecho serve de inspiração para a crescente comunidade de praticantes; em Luanda, onde a modalidade dá os primeiros passos, a persistência do norte-irlandês surge como exemplo de que as esperas mais longas podem ser recompensadas. Num desporto cada vez mais global, a semana de Augusta mostrou que a história se escreve tanto no campo como na forma como se conta.
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