Procuradoras de Nova York e Nova Jersey investigam FIFA por preços abusivos de ingressos para o Mundial 2026
Letitia James e Jennifer Davenport abrem investigação sobre venda de bilhetes para a final no MetLife, em meio a queixas de assentos enganosos e preços dinâmicos. Outros desafios logísticos e tecnológicos marcam a preparação do torneio.

A menos de um mês do arranque do Campeonato do Mundo de 2026, a FIFA viu-se confrontada com uma investigação formal das procuradoras-gerais dos estados de Nova Iorque e Nova Jérsia, Letitia James e Jennifer Davenport. O foco da sindicância recai sobre as práticas de venda de bilhetes para os oito jogos a disputar no MetLife Stadium, incluindo a grande final de 19 de julho, tendo sido emitidas intimações à entidade que tutela o futebol mundial. As autoridades alegam que os adeptos foram induzidos em erro por mapas de estádio enganosos e sujeitos a uma política de preços dinâmicos que inflacionou os valores de forma artificial, criando uma “corrida de obstáculos de confusão, escassez fictícia e preços impossíveis”, conforme nota a imprensa norte-americana.
A ofensiva judicial surge num momento de expectativa global, também partilhada pelas comunidades lusófonas que planeiam assistir ao torneio. Muitos adeptos brasileiros e portugueses, habituados a custos elevados em grandes eventos, observam com atenção o desenrolar do escândalo. A estratégia de comercialização da FIFA, que incluiu a conceção de uma nova categoria “primeira fila” mais cara depois de já terem sido vendidos milhões de ingressos, minou a confiança dos consumidores. “Ser honesto sobre a venda de bilhetes não é complicado. Mas a FIFA transformou a compra de um bilhete num labirinto”, afirmou uma das procuradoras, sublinhando o compromisso de conduzir um inquérito exaustivo.
Enquanto a polémica domina as manchetes, outras frentes logísticas e tecnológicas avançam no primeiro Mundial organizado por três países. Dados confirmados pela FIFA revelam que algumas seleções percorrerão mais de 9.000 quilómetros apenas na fase de grupos, um contraste gritante com a compactação do Qatar 2022. A Argentina, contudo, conseguiu reduzir o desgaste ao fixar o seu quartel-general em Kansas City, limitando as deslocações a 2.960 quilómetros — uma lição de planeamento que o Brasil ainda não replicou publicamente. Em Bogotá, o aeroporto El Dorado investe 22.400 milhões de pesos colombianos para reforçar a operação e absorver o fluxo extra de passageiros. No relvado, a Adidas introduziu a bola Trionda, equipada com um sensor eletrónico recarregável que auxilia as decisões de arbitragem, nomeadamente na deteção de foras de jogo.
À medida que o apito inicial se aproxima, a convergência de desafios — da acessibilidade dos bilhetes à sustentabilidade logística das seleções e à precisão tecnológica — desenha um cenário complexo. Para os países lusófonos, com destaque para o Brasil, que terá de gerir a fadiga de viagens num continente vasto, e para os milhares de emigrantes portugueses na América do Norte, a transparência e a equidade no acesso aos estádios permanecem no centro das atenções. A forma como a FIFA responderá à pressão judicial e mediática poderá ditar o tom de uma competição que se esperava histórica.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
The tournament is marked by contradictions: on the one hand, authorities investigate FIFA for inflated prices and deceptive ticket sales, decrying confusion, fake scarcity, and unreachable costs; on the other, the official ball runs on a rechargeable battery, emblem of a high-tech event that nevertheless struggles to deliver fairness to fans.
The World Cup exposes stark disparities: some teams face over 9,000 km of travel in the group stage alone, while others enjoy minimal trips, potentially affecting performance. Meanwhile, FIFA faces U.S. ticket investigations, and Latin American hubs like El Dorado brace for record traffic, highlighting the uneven burden and contrasting preparations.
FIFA is engulfed in a fresh crisis as New York and New Jersey prosecutors open a probe into the exploitation of fans through exorbitant pricing and misleading seat information. The investigation revives long-standing corruption allegations against the federation, casting a shadow over the upcoming tournament.
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