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Preço do petróleo dispara com nova crise no Estreito de Ormuz e impasse diplomático

Após um fim de semana de esperanças frustradas, o encerramento do estreito e o colapso das conversações de paz EUA-Irão fizeram disparar o crude, com impacto nos mercados mundiais.

Geopolítica7 veículos3 idiomas2 min de leituraAtualizado 08:02

O barril de Brent voltou a subir com força na madrugada desta segunda-feira, superando os 96 dólares, numa reversão abrupta da calma que marcara a sessão de sexta-feira. A volatilidade instalou-se depois de o Irão ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, alegando que o bloqueio naval norte-americano a navios ligados a Teerão violava o cessar-fogo [A1][A3][A6]. No sábado, embarcações indianas foram forçadas a recuar sob fogo iraniano e, no domingo, um navio iraniano foi alvejado e apreendido pela Marinha dos EUA no Golfo de Omã [A1][A2]. Wall Street, que celebrara em mínimos a aparente trégua, viu os ganhos evaporarem-se perante o regresso do risco geopolítico [A1].

A promessa de reabertura do corredor, feita pelo ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano na passada sexta-feira, levara o crude a cair mais de 9% [A7]. Contudo, a declaração do Presidente Donald Trump de que o bloqueio se manteria deitou por terra as expectativas e Teerão anunciou que não participará em novas rondas de conversações enquanto as sanções não forem suspensas [A4][A1]. O impasse diplomático, com o cessar-fogo a expirar já na terça-feira, alimenta receios de uma escassez prolongada na oferta mundial de petróleo [A5].

Na Ásia, o West Texas Intermediate (WTI) valorizou mais de 7%, para perto dos 90 dólares, enquanto o gás natural europeu chegou a subir 11% [A2][A5]. Analistas em Lisboa advertem que a volatilidade extrema — quedas de 9% seguidas de altas de 7% no espaço de um fim de semana — torna inviável qualquer planeamento energético de médio prazo. Para o Brasil, nono maior produtor mundial, a instabilidade oferece ganhos no curto prazo, mas compromete a previsibilidade fiscal dos excedentes da exportação. Angola e Moçambique, dependentes das receitas petrolíferas, veem o orçamento oscilar com cada sobressalto nos preços, prolongando a vulnerabilidade económica.

Os armadores, por seu turno, mostram-se extremamente cautelosos em regressar à rota do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial [A7]. A combinação de escalada militar, incerteza no transporte e uma diplomacia que parece andar em círculos configura, na leitura de observadores em Brasília, um sobrepor de riscos que dificilmente se dissipará enquanto não houver um acordo robusto — algo que o vaivém de declarações e ações contraditórias torna cada vez mais distante.

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