Peru: Fujimori mantém vantagem ínfima sobre Sánchez com 98% dos votos apurados
Diferença de cerca de mil votos separa os candidatos; revisão de atas impugnadas pode prolongar incerteza por semanas.

A contagem quase final do segundo turno das eleições presidenciais peruanas cristalizou uma diferença de pouco mais de mil votos entre a candidata de direita Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez. Com 98,2% das urnas apuradas, Fujimori somava 50,003% dos sufrágios, contra 49,997% do adversário, uma margem que oscilou entre 600 e 1.400 votos nas últimas horas, dependendo da incorporação de boletins do exterior. As atas restantes, em grande parte impugnadas, concentram-se sobretudo na região metropolitana de Lima, tradicional reduto da filha do ex-presidente autoritário Alberto Fujimori, e serão submetidas ao escrutínio do Jurado Nacional de Eleições, num processo que pode durar semanas.
A disputa é uma das mais apertadas da história recente do país andino e decorre num cenário de profunda fragilidade institucional. O Peru acumulou três presidentes destituídos em cinco anos, enquanto a pobreza atinge 25,7% da população, a anemia infantil supera 43% e a informalidade laboral é massiva, segundo dados oficiais citados pela imprensa latino-americana. O voto dos expatriados — cerca de 63% favorável a Fujimori — foi determinante para a ultrapassagem que reverteu a liderança inicial de Sánchez, mas gerou forte rejeição no sul andino, onde o candidato de esquerda venceu com larga margem. A própria Fujimori reagiu com “serenidade e gratidão”, enquanto o país aguarda a proclamação oficial.
A reação dos mercados foi imediata: o índice geral da Bolsa de Valores de Lima disparou quase 8% desde a segunda-feira seguinte à votação, sinalizando a preferência dos investidores por um governo de direita. Observadores em Brasília notam que a estabilidade peruana interessa diretamente ao Brasil, parceiro comercial relevante e membro da Aliança do Pacífico. Em Lisboa, analistas sublinham a exposição de empresas portuguesas com operações no setor de infraestrutura peruano, para as quais a definição rápida do quadro político é crucial. A imprensa chinesa, por sua vez, destacou o papel decisivo dos votos do exterior e a margem dramática de apenas 600 sufrágios num universo de 18 milhões de eleitores.
A revisão das atas impugnadas mantém a incerteza, embora a maioria provenha de zonas favoráveis a Fujimori. O desfecho definirá a capacidade do próximo governo de enfrentar a crise social e atrair investimento, num contexto em que o Congresso, historicamente influenciado pelo fujimorismo, já foi palco de manobras que limitaram o crescimento e ampliaram o défice fiscal. A extrema polarização e a diferença ínfima acendem alertas sobre possíveis contestações pós-eleitorais, num país onde a legitimidade das instituições eleitorais será novamente testada.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
O voto no exterior impulsionou a ultrapassagem de Keiko Fujimori sobre o esquerdista Roberto Sánchez, provocando forte rejeição no sul andino. Com 98% dos votos apurados, Fujimori lidera por margem mínima, consolidando uma virada definitiva após dias de incerteza.
Keiko Fujimori mantém vantagem mínima sobre o esquerdista Roberto Sánchez, enquanto a Bolsa de Lima dispara com a expectativa de um resultado pró-mercado. Analistas veem na provável vitória de Fujimori a chance de encerrar um ciclo de instabilidade política e deterioração fiscal, embora excessos especulativos também sejam notados.
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