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Pashinyan vence legislativas na Armênia com 49,8%, mas Moscou tenta deslegitimar resultado

Partido do primeiro-ministro armênio obteve maioria parlamentar, enquanto oposição contesta e o Kremlin instrui imprensa a tratar resultado como derrota.

Geopolítica17 veículos8 idiomas3 min de leituraAtualizado 03:38

O partido Contrato Civil, do primeiro-ministro armênio Nikol Pashinyan, conquistou 49,8% dos votos nas eleições legislativas de 7 de junho, assegurando uma confortável maioria no parlamento e consolidando o pivô geopolítico do país em direção ao Ocidente. Pashinyan classificou o desfecho como “vitória histórica” e prometeu aprofundar a aproximação com a União Europeia, sem romper totalmente os laços com a Rússia. A oposição, porém, denunciou pressões sem precedentes: o bloco Arménia, do ex-presidente Robert Kocharyan, e o partido Arménia Próspera anunciaram que vão contestar os resultados, alegando detenções de opositores, uso da máquina administrativa e discrepâncias na contagem, como 120 votos não contabilizados.

Moscou reagiu de imediato. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, falou em “inúmeras violações”, e a diplomacia russa acusou o Ocidente de interferência. Mais revelador, porém, foi a orientação que a administração presidencial russa deu aos meios de comunicação estatais e leais: sublinhar que o partido de Pashinyan ficara abaixo dos 50% e tratar o resultado como “derrota”, ao mesmo tempo que se deveria amplificar qualquer denúncia de irregularidade para “semear dúvidas sobre a legitimidade” do primeiro-ministro. Analistas independentes citados por publicações russas não encontraram, contudo, as anomalias estatísticas típicas das eleições na Rússia, pondo em causa a narrativa oficial do Kremlin.

Do lado ocidental, a vitória de Pashinyan foi saudada como um passo para a estabilidade do Cáucaso. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, telefonou ao premiê armênio, reafirmando o compromisso de Washington com a paz e com os acordos de cooperação económica assinados recentemente. Observadores internacionais, embora tenham notado interferência russa na campanha, consideraram o escrutínio competitivo, mas marcado por uma polarização extrema e discursos de ódio. A imprensa iraniana, por seu turno, destacou o avanço de um partido pró-Ocidente na vizinhança de Teerão, num momento em que a própria relação com Moscou se torna mais ambígua.

As contestações da oposição centram-se em dois episódios: a recusa do partido Arménia Próspera em aceitar a exclusão do parlamento por apenas 0,004 ponto percentual abaixo da barreira de 4%, e o anúncio precoce da vitória por Pashinyan antes da conclusão da contagem oficial — gesto interpretado por adversários como pressão sobre a Comissão Eleitoral Central. O presidente do órgão optou por não comentar a atitude do primeiro-ministro.

Para Lisboa, a vitória do Contrato Civil é vista como uma oportunidade de reforçar a influência europeia num país que ainda integra a União Económica Eurasiática, mas que cada vez mais se alinha com os valores da UE. Em Brasília, a estabilização do Cáucaso interessa a uma diplomacia que aposta na multipolaridade e que poderá usar os canais dos BRICS para mediar tensões entre os grandes polos. Independentemente dos recursos judiciais da oposição, o futuro imediato da Arménia passará pela delicada costura entre a dependência energética russa e a promessa de um horizonte europeu, enquanto a sociedade tenta sarar as feridas das derrotas militares frente ao Azerbaijão.

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Lenta.ru8 de jun., 18:07
Vedomosti8 de jun., 17:06
Voice of America (VOA) Persian9 de jun., 00:13
France 248 de jun., 17:07
Australian Broadcasting Corporation (ABC)8 de jun., 18:13
BBC News Russian8 de jun., 17:08
RBK8 de jun., 17:07
Valor Econômico8 de jun., 18:10