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Arábia Saudita desmente ataque a base aérea e diz que míssil iemenita caiu perto da fronteira

Riade afirma que sirenes em Al-Kharj foram precaução após míssil balístico desaparecer junto à fronteira; houthis reivindicam disparo contra Israel.

Geopolítica5 veículos4 idiomas3 min de leituraAtualizado 03:37

Na madrugada de segunda-feira, sirenes soaram na província de Al-Kharj, no centro da Arábia Saudita, levando a especulações de um ataque à Base Aérea Príncipe Sultan. O Ministério da Defesa saudita, contudo, emitiu um desmentido categórico, afirmando que o alerta foi uma medida de precaução. O porta-voz, major-general Turki al-Maliki, declarou que um míssil balístico disparado a partir do Iémen desapareceu dos radares perto da fronteira com o reino, sem causar danos ou vítimas. As investigações prosseguem, mas o Governo assegurou que a instalação militar — que alberga tropas e caças norte-americanos — não foi atingida.

A reivindicação do ataque, no entanto, partiu dos rebeldes houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, que assumiram a responsabilidade pelo lançamento de um projétil em direção a Israel. O movimento xiita prometeu “responder à escalada com escalada”, num contexto de agravamento regional. Na véspera, a aviação israelita bombardeara Beirute em retaliação a ataques do Hezbollah, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana disparava mísseis contra território israelita. A cronologia sugere que o míssil intercetado perto da Arábia Saudita poderia fazer parte dessa onda de hostilidades transfronteiriças.

A imprensa russa, citando relatos da ABC News, sublinhou que a base de Príncipe Sultan é um ativo estratégico para os Estados Unidos, o que torna o incidente particularmente sensível. Já a cobertura iraniana destacou que, apesar do desmentido oficial, fontes locais tinham reportado explosões, alimentando a perceção de uma possível ação contra os interesses ocidentais na região. Os meios de comunicação árabes, por seu turno, reproduziram a versão oficial de Riade, enfatizando a ausência de danos e o carácter precaucionário das sirenes.

Na perspetiva de Brasília, o episódio recorda os riscos da guerra por procuração no Médio Oriente, cujos efeitos colaterais podem atingir países terceiros e perturbar o mercado global de energia. Observadores em Lisboa notam que a instabilidade na Península Arábica ecoa numa Europa dependente do fornecimento de crude, enquanto as nações africanas lusófonas, como Angola e Moçambique, acompanham de longe mas sem alarmismo uma crise que ameaça a recuperação económica pós-pandemia. A capacidade dos houthis de lançar mísseis balísticos que iludem a vigilância radar permanece uma variável de desgaste para a coligação liderada por Riade e para a segurança das rotas marítimas.

O desfecho do inquérito saudita esclarecerá se o projétil falhou tecnicamente ou foi abatido e se o alvo real era Israel ou infraestruturas no reino. Até lá, a negação oficial contrasta com o clima de guerra regional que se intensificou desde 7 de junho, mantendo em suspenso a estabilidade de todo o flanco sul da NATO e dos parceiros do Golfo.

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An-Nahar8 de jun., 17:09
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Gulf News8 de jun., 17:07
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