Papa Leão XIV denuncia “monstros” do tráfico e lança flores em memória de migrantes mortos nas Canárias
Na última etapa da visita à Espanha, pontífice equipara indiferença a cumplicidade e afirma: “todos, de algum modo, somos migrantes”, enquanto a Europa debate políticas migratórias.

Ao encerrar a sua viagem apostólica à Espanha, o papa Leão XIV lançou uma condenação contundente contra os traficantes de seres humanos, que classificou como “monstros”, e apelou à “conversão” daqueles que lucram com a dor alheia. Em Tenerife, nas Ilhas Canárias — rota atlântica por onde dezenas de milhares de africanos tentam chegar à Europa —, o pontífice recordou que “a dignidade humana não tem passaporte” e exortou a ver os migrantes como membros da nossa própria família.
O gesto mais simbólico ocorreu no molhe de Arguineguín, conhecido como “cais da vergonha”, onde o Papa atirou um ramo de flores ao mar em memória dos milhares de mortos na travessia. Mais tarde, no centro de acolhimento Las Raíces, abraçou crianças e repetiu que “todos, de algum modo, somos migrantes, peregrinos a caminho da pátria celeste”. A visita às Canárias, última etapa de uma viagem que começou em Madrid e passou por Barcelona, foi marcada por fortes palavras contra as “máfias que traficam com o desespero” e pela denúncia da indiferença como uma forma de cumplicidade.
O discurso ressoa num momento de intenso debate migratório na Europa. Observadores em Lisboa sublinham que a intervenção papal ocorre enquanto o governo português se debate entre a tradição de acolhimento e as pressões por controlo de fronteiras. Em Brasília, a defesa dos migrantes recorda os desafios enfrentados pelo Brasil — destino de venezuelanos e haitianos — e reforça o discurso de inclusão do governo Lula. Do lado africano, analistas em Cabo Verde, país arquipelágico próximo das Canárias, e em Angola veem na mensagem um eco das suas próprias realidades e uma interpelação aos Estados de origem para criarem alternativas à emigração forçada.
A viagem do Papa Leão XIV reavivou a memória do grito de João Paulo II contra a máfia na Sicília em 1993, mas atualizou o foco para as novas formas de escravatura ligadas à migração. Ao apelar a uma “conversão” que vá além das estatísticas, o pontífice coloca a Igreja Católica no centro do debate global, pressionando não só os governos europeus, mas também as políticas africanas e americanas. Na perspetiva de Tenerife, fica o desafio de conciliar a urgência humanitária com respostas estruturais que ataquem as causas da migração irregular.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
A visita do Papa às Canárias terminou com uma mensagem matizada: embora tenha defendido firmemente a dignidade dos migrantes e condenado os traficantes como 'monstros', também reconheceu o direito das nações de controlar as suas fronteiras e sugeriu que os migrantes reconsiderassem as viagens perigosas. Esta posição equilibrada reflete uma abordagem pragmática à crise migratória, reconhecendo tanto as obrigações humanitárias como as prerrogativas soberanas.
A viagem apostólica do Papa à Espanha terminou em Tenerife com um dramático problema técnico no seu avião, resolvido pela escolta pessoal do Rei até à sala VIP, sublinhando a receção diplomática de alto nível. A partir das Canárias, o pontífice lançou um grito inflamado contra os traficantes de seres humanos, exigindo que 'parem e se convertam', ecoando condenações papais passadas às máfias. Também abraçou os migrantes com ternura, declarando que 'todos somos migrantes' num apelo universal à solidariedade.
Nas Canárias, o papa Leão XIV denunciou a indiferença da Europa, alertando que não se pode falar de dignidade enquanto se permite que os mares se tornem cemitérios. Lançou flores ao mar para homenagear os milhares de mortos na rota atlântica e apelou à integração, afirmando que 'todos, de algum modo, somos migrantes'. A visita foi um poderoso gesto político, exigindo solidariedade e o fim dos 'monstros' que exploram o desespero humano.
O papa Leão XIV lançou um severo aviso aos traficantes de seres humanos que exploram os migrantes, dizendo-lhes para 'pararem' e 'arrependerem-se' durante a sua visita às Canárias. A mensagem do pontífice centrou-se nas redes criminosas que lucram com a migração irregular, apelando à sua conversão. A visita sublinhou o imperativo moral de combater o tráfico, ao mesmo tempo que aborda a situação difícil daqueles que procuram uma vida melhor.
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