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Menopausa acelera vulnerabilidade feminina a Alzheimer, AVC e doenças silenciosas, alertam especialistas

Dados de Argentina, Brasil e Itália mostram que metade das mulheres acima de 50 anos pode ter doença vascular não diagnosticada, enquanto o risco de AVC sobe 50% em duas décadas e médicos pedem abordagem integrada de género.

Saúde e Ciência5 veículos4 idiomas4 min de leituraAtualizado 04:30

A saúde da mulher está a ganhar um novo protagonismo nas agendas médicas internacionais, à medida que se acumulam evidências de que o sexo feminino enfrenta riscos acrescidos e frequentemente silenciosos para um leque alargado de doenças, sobretudo após a menopausa. Durante o evento “Qui, per la salute di ogni donna”, promovido em Roma pela farmacêutica Organon, especialistas italianos sublinharam que as mulheres vivem mais anos, mas passam uma parte desproporcional desse tempo com doenças crónicas e incapacitantes. “As mulheres vivem mais tempo, mas com mais anos de doença”, resumiu Flavia Binetti, administradora da Organon Itália, defendendo uma intervenção precoce e uma abordagem multidisciplinar capaz de colmatar as lacunas na assistência ao longo das diferentes fases da vida.

Um dos eixos centrais das preocupações prende-se com o impacto da queda de estrogénio após a menopausa. Investigadores citados pelo jornal colombiano El Espectador apontam que o cérebro feminino se torna mais vulnerável ao Alzheimer nessa fase, o que ajuda a explicar por que quase dois terços dos diagnósticos da doença ocorrem em mulheres. Na mesma linha, o cardiologista italiano Pasquale Perrone Filardi recordou que as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 40% da mortalidade feminina, um valor superior ao registado nos homens. Um levantamento da Fundação Cardiológica Argentina, divulgado pelo Hospital de Clínicas de Buenos Aires, revelou que metade das mulheres com mais de 50 anos pode ter doença vascular sem o saber, embora mais de 80% dos eventos graves pudessem ser prevenidos com controlos adequados e hábitos saudáveis. A urgência é reforçada pela Organização Mundial da Saúde, que aprovou na 79.ª Assembleia Mundial uma resolução que classifica o acidente vascular cerebral como prioridade global: o risco de AVC ao longo da vida aumentou 50% nos últimos vinte anos e uma em cada quatro pessoas adultas poderá sofrer um episódio.

Além das ameaças vasculares e neurodegenerativas, os especialistas italianos destacaram patologias com uma prevalência nitidamente feminina, como a enxaqueca – que o neurologista Pietro Barbanti considera “uma verdadeira doença” e não um distúrbio banal –, a osteoporose e a depressão. A endocrinologista Annamaria Colao lembrou que a incidência diferenciada torna “indispensável um enfoque clínico específico e de género”. A menopausa também está na origem de condições menos discutidas, como a atrofia vaginal, descrita pelo site indonésio Media Indonesia como um afinamento e ressecamento das paredes vaginais que afeta a qualidade de vida e a sexualidade. Para responder a este mosaico de necessidades, os médicos de família e os especialistas sublinharam a importância de uma tomada em carga continuativa e integrada, em que o clínico geral acompanhe a mulher da adolescência à velhice, partilhando informação com ginecologistas, cardiologistas e neurologistas.

A dimensão económica e de sustentabilidade dos sistemas de saúde também marcou o debate. Francesco Mennini, do Ministério da Saúde italiano, afirmou que “a saúde não deve ser considerada um custo, mas um investimento com retorno concreto”, citando a prevenção, a imunização e as terapias avançadas como alavancas de longo prazo. Claudio Cricelli, presidente emérito da Sociedade Italiana de Medicina Geral, alertou que o envelhecimento populacional e a crescente fragilidade dos idosos que vivem sós transformarão a saúde das mulheres num “banco de prova” para o serviço nacional de saúde. Na perspetiva da indústria farmacêutica, Michael Morrissey, da Organon, frisou que colmatar as lacunas de acesso a cuidados para as mulheres está no centro da estratégia de crescimento e sustentabilidade da companhia.

A convergência de dados de diferentes continentes sugere que a transição demográfica e epidemiológica exige uma reorientação das políticas sanitárias. Em Brasília, a recente resolução da OMS sobre o AVC reforça a necessidade de campanhas de prevenção e de reabilitação adaptadas à realidade feminina. Observadores em Buenos Aires sublinham que os programas de rastreio vascular poderiam evitar a maioria dos eventos graves. Em Lisboa, o silêncio público sobre a atrofia vaginal e outras condições pós‑menopáusicas revela a urgência de uma medicina que não apenas trate a doença, mas melhore a qualidade de vida. O apelo lançado em Roma representa, assim, um sinal de que a saúde da mulher está a deixar de ser uma especialidade marginal para se afirmar como pilar da medicina do futuro.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Stampa latinoamericanaallarmepragmatismo

Latin American outlets warn of women's heightened vulnerability to Alzheimer's, vascular disease, and stroke, noting that half of women over 50 may have hidden vascular issues. They emphasize the need for prevention and proper checks.

Stampa europea continentale/ mediterraneaurgenzapragmatismo

Italian experts and institutions champion gender medicine as a pillar for national health service sustainability. Investing in prevention, screening, and therapies for women is seen as a strategic lever, not a cost, with an integrated multidisciplinary approach accompanying patients through all life stages.

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Southeast Asian outlets take an informative, practical approach, explaining conditions like vaginal atrophy during menopause. The focus is on symptom awareness and maintaining women's health without engaging in systemic debate.

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