Marie-Louise Eta assume Union Berlim e torna-se a primeira treinadora da Bundesliga
Aos 34 anos, ex-técnica dos sub-19 substitui Steffen Baumgart e enfrenta cinco jornadas para evitar a descida, num marco inédito nos cinco principais campeonatos europeus.

O Union Berlim fez história no domingo, ao nomear Marie-Louise Eta, de 34 anos, como treinadora principal da equipa masculina até ao final da temporada. A ex-técnica da equipa de sub-19 torna-se a primeira mulher a assumir o comando de um clube da Bundesliga e, de forma mais ampla, de qualquer um dos cinco principais campeonatos europeus.
A decisão surge na sequência da derrota por 3-1 frente ao Heidenheim, lanterna vermelha da prova, e do despedimento de Steffen Baumgart. Apesar do 11.º lugar, a direção do clube avaliou o segundo turno como «desastroso»: apenas duas vitórias nos últimos 14 jogos, o que deixa a equipa a cinco jornadas de evitar a descida. Eta herdou um balneário pressionado, mas a sua promoção foi mais do que uma resposta de emergência.
A nova treinadora já estava destinada a liderar a equipa feminina do clube a partir da próxima época, mas foi a sua passagem pelos juniores que revelou o seu perfil. Quem a viu à beira do relvado, como a repórter do Bild que cobria um jogo dos sub-19 contra o Nuremberga, descreve-a como «alta, presente, intransigente». Nessa partida, Eta foi mesmo advertida com um cartão amarelo por protestar: «Porque é que apitam cada porcaria, mantenham uma linha, porra!», terá gritado. Campeã da Liga dos Campeões feminina pelo Turbine Potsdam em 2010, Eta já havia sido vice-treinadora da equipa principal em 2023, também um feito inédito nos grandes campeonatos.
A nomeação de Eta ecoa para muito além da Alemanha. No Brasil, onde o debate sobre mulheres no comando técnico do futebol masculino ainda engatinha, a notícia é recebida como um sinal de quebra de barreiras, embora não haja perspetiva imediata de iniciativas semelhantes na Série A. Em Portugal, nenhuma treinadora ascendeu até hoje ao principal escalão masculino, e especialistas alertam para a escassez de oportunidades nas estruturas de formação. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, como Moçambique e Angola, a realidade é ainda mais distante: a presença feminina nos bancos das seleções ou clubes de topo permanece rara, e a evolução passa sobretudo pela lenta afirmação das jogadoras.
Apesar do simbolismo, o Union Berlim aposta na competência de Eta para estabilizar uma equipa em crise. A sua juventude e o conhecimento do plantel, que inclui internacionais habituados a outras dinâmicas, serão testados já no próximo fim de semana. Um eventual sucesso na manutenção abriria caminho para que outros clubes europeus considerem a contratação de treinadoras, num universo ainda dominado por nomes masculinos. Para já, Eta concentra-se nas cinco finais que tem pela frente, ciente de que cada vitória não só salva a época como consolida uma página nova na história do futebol global.
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